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quinta-feira, 11 de março de 2021

Israelenses criam medicamento contra o câncer sem testes em animais

 

Cientistas israelenses desenvolveram um medicamento contra o câncer sem testá-lo em animais, usando um chip que simula o corpo humano.  

Os pesquisadores da Universidade Hebraica criaram um chip contendo tecido humano com sensores microscópicos para monitorar com precisão a resposta do corpo humano - rim, fígado e coração - a tratamentos com medicamentos específicos.

Prof. Yaakov Nahmias (à direita) e pesquisador Aaron Cohen, segurando o chip "simulador humano" (cortesia da Universidade Hebraica)

A ideia da tecnologia órgão-em-chip tem 30 anos acredita-se que a equipe israelense seja a primeira a criar com sucesso um novo tratamento usando os recursos de um chip para eliminar completamente os testes em animais.

Eles estão tão confiantes em sua pesquisa, que combinou dois medicamentos existentes a fim de resolver um problema de excesso de gordura no fígado experimentado por alguns pacientes com câncer, que estão apresentando a combinação para uma patente, para ensaios clínicos e para aprovação pela US Food and Drug Administration - tudo isso enquanto pula os testes normais em animais.

 

O sucesso foi relatado na última edição da revista científica Science Translational Medicine.

 

“Até onde sabemos, esta é a primeira vez que uma droga está dando esse passo sem testes em animais, e a razão é que eliminamos essa necessidade usando nossa tecnologia 'humano em um chip'”, Prof. Yaakov Nahmias, que está liderando a pesquisa, disse o The Times of Israel.

 

“Esta é a primeira demonstração de que podemos usar essa tecnologia para contornar os experimentos com animais, e isso pode levar a um desenvolvimento de medicamentos mais rápido, seguro e eficaz. Levar uma droga ao ponto de testes clínicos normalmente leva de quatro a seis anos, centenas de animais e custa milhões de dólares".

“Fizemos isso em oito meses, sem um único animal e por uma fração do custo”.

Ele acrescentou que, como os chips têm o potencial de imitar o corpo humano com muito mais precisão do que os animais, a tecnologia pode aumentar a precisão do desenvolvimento de medicamentos.

Nahmias, diretor do Grass Center for Bioengineering da Universidade Hebraica, decidiu resolver o problema de que a cisplatina, uma droga comumente usada contra o câncer, causa um acúmulo de gordura nos rins humanos.

Ele relatou que quando “alimentou” cisplatina em seu chip junto com o medicamento para diabetes empagliflozina, que é projetado para limitar a absorção de açúcar nos rins, ficou claro que o medicamento para diabetes reduzia o acúmulo de gordura.

Ele olhou para ver se havia algum dado do mundo real que apoiasse sua descoberta e descobriu que pacientes com câncer recebendo cisplatina que também tomam empagliflozina para diabetes são menos propensos ao acúmulo de gordura nos rins. Isso surgiu como um padrão claro entre 247 pacientes, disse ele.

Nahmias comparou sua descoberta ao desenvolvimento dos primeiros carros com autodiagnóstico, que relatam seus problemas e sugerem soluções por meio de um computador de garagem.

“Hoje, podemos dizer facilmente se nosso carro tem um pneu furado ou vazamento de óleo - nosso painel acende porque colocamos sensores em todos os lugares que podem dar errado em um carro”, disse ele. “Quando nosso carro falha, simplesmente o conectamos a um computador que pode nos dizer o que está errado. Imagine fazer a mesma coisa, mas pelo corpo humano. De repente, isso parece realista”.

Por NATHAN JEFFAY 

Imagem ROYALTY  FREE STOCK PHOTO  

Fonte: https://www.timesofisrael.com/israelis-create-cancer-drug-using-human-simulating-chip-instead-of-animal-tests/

Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e do Meio ambiente.
Comunicadora Formada em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos

Autora dos Livros:

Uma Escolha pela Vida - A Importância de Nossas Escolhas Diárias de Consumo & Veganismo em Rede - Conexões de um Movimento em Expansão

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

80% dos antibióticos produzidos no mundo são utilizados em animais de fazenda

Foto: FAO / Hoang Dinh Nam

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em diversos países, 80% dos antibióticos produzidos no mundo são utilizados em animais de fazenda. E a maior parte é utilizada para estimular o crescimento em animais que não estão doentes.

Segundo a OMS, o uso excessivo e indevido de antibióticos em animais e seres humanos tem gerado problemas de imunidade a certos agentes infecciosos e a determinados tratamentos.

Alguns agentes que causam infecções graves em humanos já desenvolveram resistência à maioria dos remédios disponíveis e há poucas opções de alternativas em etapa de desenvolvimento para uso clínico.

“A falta de antibióticos eficazes é uma ameaça de segurança tão séria como um surto de uma doença súbita e mortal”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

E acrescenta: “Uma ação forte e sustentada em todos os setores é vital se quisermos reverter a maré da resistência antimicrobiana e manter o mundo seguro”.

O diretor do Departamento de Segurança Alimentar e Zoonoses da OMS, Kazuaki Miyagishima, enfatiza que estudos científicos demonstram que o uso excessivo de antibióticos em animais pode contribuir para o desenvolvimento de resistência a esses medicamentos.

A dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás.

China e Índia foram, segundo os autores do estudo publicado na revista Science, "claramente" os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados. Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos). Apesar de essa prática ser comumente utilizada em todas as fazendas de produção, no mundo todo, podendo gerar seus efeitos em qualquer país.

As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina.

Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resistência emergentes, ou seja, em que a resistência dos microrganismos a antibióticos está crescendo. Aí, o Brasil também aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste.

Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo).

"Na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), e ela pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento", explica Silvana Lima Gorniak, da USP.

"A terceira maneira é a mais polêmica, a mais discutida na ciência, que é a administração (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e o antimicrobiano é empregado com a finalidade de promover o crescimento. Não se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce".

Ao mesmo tempo, esta substância é colocada pela OMS no grupo mais crítico entre os antibióticos que precisam urgentemente de substitutos — já que são o último recurso para o tratamento de algumas doenças para as quais outros antibióticos não funcionam mais, são amplamente usados na medicina humana e já se mostraram altamente vulneráveis à resistência microbiana.
Fonte BBC

Nota do Blog Ação:
O uso de antibióticos força os animais tidos como de produção a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel. Ou seja, os adoecemos fisicamente e os expomos ao estresse contínuo devido à exploração para consumo e depois temos, como consequência, vetores de transmissão de doenças para humanos e menos chance de tratá-las por conta da resistência à antibióticos gerada pelo consumo desses animais.

Tão mais simples e seguro deixar os animais em paz, dando preferência a uma alimentação à base de plantas, e afastando o risco de doenças neles e em nós. Porém, basicamente, por ganância e gula se mantém um sistema de explorar vidas sencientes e achar que, de alguma forma, teremos controle sobre suas consequências para que o produto da morte seja “saudável” e fonte de “alimento”.


Dizy Ayala


Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e do Meio ambiente.
Comunicadora Formada em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos


Autora dos Livros:

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