quinta-feira, 3 de maio de 2018

União Europeia acolhe proibição total dos pesticidas que matam as abelhas.


União Europeia acolhe proibição total dos pesticidas que matam as abelhas.  

Todos os 28 países da União Europeia acolheram o clamor da opinião pública pela proibição total dos pesticidas que matam as abelhas.  

O movimento iniciado há 07 anos teve iniciativa e coordenação da organização Avazz junto a várias entidades ambientalistas, de proteção à fauna e flora e de nutrição humana. E junto aos colaboradores de todo o mundo foram “catalisadores” dessa vitória. Algumas das estratégias utilizadas foram a divulgação de uma sólida petição que contou com 05 milhões de assinaturas, o engajamento na consulta pública na EU, passando por financiamento coletivo a cientistas, até correr atrás de ministros em aeroportos.
 Um oficial da Comissão Europeia escreveu: "Agradecemos muito a vocês por seus esforços e dedicação ao assunto!"

A resolução proíbe o uso dos inseticidas mais usados mundialmente, os neonicoticóides, que matam abelhas e outras espécies polinizadoras, inclusive aves.

Os neonicotinoides representam uma classe relativamente nova de inseticidas e que resguardam grande semelhança química à nicotina. O primeiro e principal neonicotinóide do mundo, o imidaclopride, foi introduzindo em meados da década de 90 pela multinacional alemã Bayer. Alem de apresentarem grande potencial de contaminação ambiental, preocupante é a altíssima toxicidade que os neonicotinóides apresentam às abelhas. Para piorar esse cenário, os neonicotinóides são atualmente a classe de inseticidas mais usada no mundo. Milhões de litros são despejados nas lavouras todos os anos.

No Brasil, Lionel Gonçalves, professor da USP, criou o movimento “bee or not to be” para alertar as autoridades e o público em geral sobre o problema. “Uma previsão catastrófica de Einstein falava que, se um dia, as abelhas desaparecessem da natureza, os homens desapareceriam em seguida”, revelou.

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A medida enfrenta as maiores indústrias químicas do mundo e as pressiona a desenvolver um modelo completamente novo de agricultura não tóxica! Dave Goulson, Professor de Biologia, Universidade de Sussex referenciou que esta é uma vitória fantástica para a ciência e para o meio ambiente; os membros da Avaaz deveriam estar orgulhosos do papel que desempenharam para garantir esse resultado".

Um dos principais argumentos usados para adiar uma votação era que os agricultores não tinham alternativas a estes produtos químicos e eram contra a proibição. Então, o time da Avaaz reuniu agricultores orgânicos e convencionais a favor do banimento em uma carta aberta que desmascarou essa ideia, e a publicou por toda a UE -- desde La Libre Belgique na Bélgica a Dagens Nyheter na Suécia. Até mesmo o maior sindicato de agricultura da Itália se uniu a nós! 
Membros da Avaaz foram de país em país pressionar pela proibição

França
A campanha começou em 2011, quando um milhão de membros da Avaaz encorajou a França a assumir a liderança deste assunto e banir os neonicotinóides no país. E, governo após governo, continuamos clamando pela liderança da França no assunto. Até que a Avaaz encontrou no Ministro do Meio Ambiente francês, Nicolas Hulot, um importante parceiro o qual lutou firmemente para que a UE banisse de vez os neonicotinóides. 
Após a votação de sexta-feira, Hulot disse: "São boas notícias para as abelhas, mas também são boas notícias para a humanidade. O paradigma está mudando e eu quero homenagear a forte mobilização popular que levou isso adiante!"

Alemanha
Vencer na Alemanha era a nossa próxima batalha! Ao longo dos anos, os membros da Avaaz, de maneira incansável, entregaram nosso clamor pela proibição a três ministros da agricultura sucessivos. Em um certo ponto, o ministro precisou configurar um novo email devido o alto volume de mensagens enviadas por nossos membros! Como pressão final, conduzimos uma pesquisa de opinião que mostrou aos ministros da Agricultura e do Meio Ambiente que os eleitores de seus partidos apoiavam a proibição, e funcionou! E, finalmente, a Alemanha optou pelo banimento! 

Reino Unido
Durante anos, o Reino Unido representou um bloqueio. Inclusive, o ex-Secretário do Meio Ambiente chegou a classificar as mensagens dos membros da Avaaz como um "ataque cibernético". Mas ano passado, após a Avaaz e seus parceiros fazerem uma forte pressão nacional, o país se tornou um líder para salvar as abelhas. Há rumores que nenhum outro tópico gerou tanto volume de correspondência entre membros do parlamento e seus eleitores!

Depois que as três maiores nações europeias estavam a bordo, países menores como Irlanda, Luxemburgo, Áustria e Eslovênia se uniram. Mas ainda não era suficiente para garantir a vitória...

Para ganhar a maioria qualificada, precisávamos que Espanha e Itália se unissem a nós
Então, nas últimas semanas, focamos toda nossa energia para ganhar em ambos os países:
·  Conduzimos pesquisas de opinião que mostravam que 87% dos espanhóis e 78% dos italianos queriam a proibição;
·  Publicamos anúncios nos principais jornais El Mundo e Il Sole;
·  Enviamos uma enxurrada de mensagens no Facebook e Twitter direcionadas aos ministros, e os entregamos as opiniões de agricultores e cientistas; e
·  Falamos com políticos e oficiais dia após dia, até a manhã da votação. Inclusive, foi um membro do time da Avaaz que avisou um funcionário do Gabinete em Madri que a Espanha tinha votado sim – estávamos tão envolvidos no assunto que anunciamos as notícias sobre o voto do seu próprio governo!
O membro do parlamento espanhol, Juan López de Uralde, (Unidos Podemos/EQUO) disse: "Nada disso teria sido possível sem a mobilização de milhões de pessoas que exerceram pressão nos governos para que isso fosse feito."

Mas não paramos por aqui, também fomos com tudo para os Países Baixos, Grécia, Polônia e outros países menores... 

Países Baixos
Algumas semanas antes da votação, nos Países Baixos, três membros da Avaaz iniciaram sua própria campanha nacional para salvar as abelhas que rapidamente viralizou e apoiada por 10 dos cientistas mais importantes do país, dois ex primeiros-ministros e até mesmo uma princesa! Depois, conduzimos uma pesquisa de opinião mostrando que quase 80% dos eleitores holandeses apoiavam o banimento -- e entregamos a campanha diretamente para o ministro da Agricultura do país. O ministro pegou a petição para "emoldurar e pendurá-la no corredor"! Assim, dois dias antes da votação, os Países Baixos se posicionaram a favor do banimento! 
Grécia
Na Grécia, enviamos nossa enorme petição ao Ministro da Agricultura, junto com pote de mel orgânico feito em sua cidade natal, e milhares de membros enviaram emails e tweets. Então, um dia antes da votação, garantimos uma notícia de primeira página no jornal pró governo mais lido do país e entramos em contato com o Vice-Ministro para conseguir falar com o próprio ministro por telefone. Finalmente, conseguimos falar com ele horas antes da votação, enquanto saía do avião! Quando ele soube que o banimento poderia depender do posicionamento da Grécia ele imediatamente se comprometeu a apoiá-lo! 
"As preocupações públicas sobre o impacto nas populações de abelhas na Grécia e na Europa têm sido muito fortes e duradouras para que a gente ignorasse."
-- Vangelis Apostolou, Ministro Grego de Agricultura e Alimentos

"Uma petição do movimento global da Avaaz, assinada por quase 5 milhões de pessoas a favor do banimento dos pesticidas que matam abelhas, foi o catalizador do resultado da decisão."
-- Efsyn – jornal grego

Foi um esforço enorme e longo para conseguir essa vitória. Parceiros como PAN, Greenpeace, Amigos da Terra e SumOfUs fizeram fortes campanhas junto com a nossa comunidade e trabalhamos de mãos dadas com cientistas, apicultores, líderes e políticos espetaculares.

Hoje, celebramos juntos. Este banimento pode representar a primeira mudança substancial na agricultura intensiva baseada em pesticidas em direção a um novo e emocionante modelo de agroecologia, no qual a produção de alimentos se dá em harmonia com a natureza e não contra ela.

Mas não podemos nos empolgar com nossas vitórias e esquecermos da luta. Temos que levar esta vitória aos EUA e ao Canadá, que analisarão proibições similares ainda este ano. E temos de seguir vigilantes na Europa -- a Bayer e a Syngenta apresentaram uma contestação judicial perigosíssima no Tribunal de Justiça da União Europeia. Temos que continuar lutando no mundo todo se quisermos proteger nossa terra da desertificação e nossa preciosa biodiversidade do colapso.

Mas nosso movimento foi construído para este tipo de luta... e esta campanha maravilhosa mostra que se um número suficiente de pessoas como nós levanta a voz de forma inteligente, PODEMOS SIM fazer com que nossos governos protejam o bem público. Então, obrigada, obrigada, obrigada e fique de olho para a próxima batalha nessa luta!


Com amor e alegria,

Alice, Antonia, Emma, Ricken, Lisa, Iain, Nell, Pascal, Nick, Camille, Francesco, Daniel, Rene, Luis, Oscar, Spyro, Julie, Marie, Olivia, Joseph, Nick, Mia e todo o time da Avaaz 


Fonte: Avazz com acréscimos e edição da redação.


Dizy Ayala

Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Formanda em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos
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