Mostrando postagens com marcador combustível fóssil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador combustível fóssil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de março de 2022

Tratado global sobre o plástico, Papa Francisco e o papel das corporações

Foto arquivo pessoal 

Em recente entrevista, o Papa Francisco voltou a expressar sua preocupação sobre poluição, plásticos e destruição do meio ambiente.

 

Será que os CEOs e acionistas da Coca-Cola e Pepsico, duas corporações multibilionárias do ramo das bebidas adoçadas e produtos ultraprocessados, ouviram o chamado?

 

É que - além de lucrar com o adoecimento das pessoas que consomem seus produtos - elas são as corporações que mais poluem o meio ambiente de acordo com o relatório da corporação Break Free From Plastic.

 

"Não importa o quanto nós tentemos evitar comprar plástico e não importa o quanto nós reciclemos, nunca será o suficiente. A quantidade de combustíveis fósseis extraídos para que as empresas fabriquem mais embalagens plásticas sempre prejudicará nossos esforços individuais", chama atenção o relatório.

 

“Jogar plástico em mares e rios é uma atitude criminosa – e precisa ser interrompida se a humanidade quiser salvar o planeta para as próximas gerações”. Essa frase contundente não foi dita pela ativista Greta Thunberg ou por nenhum diretor de ONG de meio ambiente, mas pelo Papa Francisco, em uma recente entrevista ao canal de TV italiano RAI.

Essa não é a primeira demonstração de preocupação por parte do Papa e da Igreja Católica com a conservação do meio ambiente e, consequentemente, com a poluição por plásticos.

De acordo com o site oficial Vatican News, na encíclica “Laudato si“, o Papa Francisco destaca que: “a educação para a responsabilidade ambiental pode encorajar vários comportamentos que têm um impacto direto e importante no cuidado do meio ambiente, tais como evitar o uso de plástico ou papel, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo, cozinhar somente o que pode ser razoavelmente comido, tratar outros seres vivos com cuidado, usar o transporte público ou compartilhar o mesmo veículo entre várias pessoas, plantar árvores, apagar luzes desnecessárias, e assim por diante. Tudo isso faz parte de uma criatividade generosa e digna que mostra o melhor do ser humano”.

O papel das corporações

E será que o Papa Francisco estava falando apenas com seus fiéis ou com os acionistas das empresas que lucram com a produção desenfreada de plástico?

Para além de influenciar atitudes individuais, organizações da sociedade civil vem dando “nome aos bois”, ou seja, investigando e sistematizando informações a respeito de quem produz o plástico, com o objetivo de responsabilizá-las, e cobrar políticas públicas dos Estados. 

É o caso da coligação internacional Break Free From Plastic que, pelo quarto ano consecutivo, lançou um relatório mostrando as campeãs da poluição do plástico em 2021: mais uma vez a Coca-Cola, seguida da Pepsico, são as corporações que mais poluem o meio ambiente com plástico. Grandes indústrias de produtos ultraprocessados como Nestlé, Mondelez, Danone e Mars também estão nesse ranking vergonhoso e perigoso para o planeta.  Além de fazer mal à saúde, fazem mal ao meio ambiente, nenhuma novidade.

E qual foi a metodologia utilizada pelo levantamento? Graças aos 11.184 voluntários de 45 países, foram realizadas 440 auditorias de marca em seis continentes. É uma iniciativa que envolve a contagem e documentação das marcas encontradas nos resíduos de plástico para ajudar a identificar as empresas responsáveis pela poluição plástica.

“Não importa o quanto nós tentemos evitar comprar plástico e não importa o quanto nós reciclemos, nunca será o suficiente. A quantidade de combustíveis fósseis extraídos para que as empresas fabriquem mais embalagens plásticas sempre prejudicará nossos esforços individuais. Para solucionar de verdade o problema do plástico, em primeiro lugar é preciso que essas companhias interrompam a enorme produção de plástico desnecessário e para uso único, as corporações precisam avançar para soluções reais que eliminem completamente a necessidade de embalagens plásticas”, afirma o texto do Break Free from Plastic.

 

Por conta disso, está em curso a proposta de um tratado global sobre o plástico para que países firmem o compromisso de acabar com a produção de plástico. O plástico é tóxico desde o momento em que sua produção começa. Ele é feito a partir dos mesmos combustíveis fósseis sujos que estão provocando a crise climática. E ele não se decompõe! Uma garrafa de plástico se parte em minúsculos pedaços invisíveis que podem viajar pelo mundo através da água e do ar, contaminando nossos mares, nossos rios, e até mesmo nossos oceanos.

 

Chama a atenção, também, a poluição causada pelos filtros de cigarros, as chamadas guimbas ou bitucas.

De acordo com o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, a cada ano a indústria do tabaco produz seis trilhões de cigarros, consumidos por um bilhão de fumantes, em todo o planeta. Esses cigarros contêm componentes de microplásticos, como fibras de acetato que, quando descartadas de forma imprópria, liberam metais pesados e várias outras substâncias químicas, impactando ecossistemas e a saúde.

Os filtros são os dejetos mais descartados globalmente, somando aproximadamente 766.6 milhões de quilos de lixo tóxico, a cada ano. São considerados os resíduos plásticos mais comumente encontrados nas praias, fazendo com que o ecossistema marinho seja o mais suscetível.

Quando ingerido, as partículas químicas presentes nos microplásticos causam mortalidade a longo prazo na vida marinha, incluindo pássaros, peixes, mamíferos, répteis e plantas. Estes microplásticos passam a fazer parte da cadeia alimentar e estão associados a sérios impactos na saúde humana, que incluem mudanças genéticas, desenvolvimento cerebral e taxas de respiração, entre outras. 

Fonte: ACT Promoção da Saúde

 Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e do Meio ambiente.
Comunicadora Formada em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos

Autora dos Livros:

Uma Escolha pela Vida - A Importância de Nossas Escolhas Diárias de Consumo & Veganismo em Rede - Conexões de um Movimento em Expansão

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Vitória para a natureza e vida marinha! Ação de ambientalistas frea leilão do petróleo e santuários são preservados.



Leilão da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis)) teve apenas 5 de 92 blocos de petróleo e gás arrematados na bacia de Santos. A 17ª rodada de Licitações foi alvo de mobilizações por parte de ambientalistas, entidades sociais e sociedade civil por envolver blocos próximos de importantes áreas de preservação ambiental do país, incluindo o Parque Nacional de Fernando de Noronha e a reserva biológica do Atol das Rocas.

 

Os 92 blocos ofertados estavam distribuídos em 11 setores das bacias Campos, Pelotas, Potiguar e Santos. Nove empresas se inscreveram para participar da disputa, mas apenas duas fizeram ofertas. Apesar de inscrita, a Petrobras não fez nenhuma proposta.

 

Estavam inscritas para participar da disputa 9 empresas: Petrobras; Chevron Brasil Óleo e Gás Ltda.; Shell Brasil Petróleo Ltda.; Total Energies EP Brasil Ltda.; Ecopetrol Óleo e Gás do Brasil Ltda.; Murphy Exploration & Production Company; Karoon Petróleo e Gás Ltda.; Wintershall Dea do Brasil Exploração e Produção Ltda; e 3R Petroleum Óleo e Gás S.A.

 

O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, destacou a importância da mobilização da sociedade civil para "evitar o 'passar da boiada' do governo federal".

 

Já o presidente da Associação Nacional de Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) afirmou que “as incertezas jurídicas e impactos socioambientais não considerados pela ANP, fazendo de forma açodada e sem as devidas licenças, contribuíram para o fracasso da rodada”.

 

A Shell arrematou sozinha 4 dos cinco blocos e formou consórcio com a Ecopetrol para arrematar o quinto, todos na Bacia de Santos, litoral de São Paulo.

 

Demais blocos ofertados:

 

Bacia de Pelotas, litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul;

Bacia Potiguar, litoral do Rio Grande do Norte, Ceará e Fernando de Noronha;

Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

 

Os ativistas ambientais das organizações que protestaram contra o leilão, em frente ao hotel onde a ANP realizou a disputa, também comemoraram o resultado. “Às vésperas da COP26, esse foi um claro recado aos governos do Brasil e do mundo inteiro de que a sociedade civil não tolera mais os danos que o petróleo e o gás representam para o meio ambiente e as comunidades”, disse Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina.


Mobilizações para frear o Leilão do Petróleo:

 

- Foram realizadas diversas audiências públicas em vários municípios do estado de SC, promovidas pelo instituto Arayara e Observatório do Petróleo e Gás, para discutir os impactos ambientais da exploração do petróleo no litoral catarinense.

 

- Ação civil pública, movida por várias entidades que representam o meio ambiente, que pedia a suspensão da licitação da ANP.

 

- Manifestação realizada em frente ao hotel onde aconteceu o leilão, na orla da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, no dia de hoje, 07/10.

 

Segundo ambientalistas, não há estudos conclusivos sobre o impacto ambiental da exploração do petróleo e que qualquer vazamento poderia destruir patrimônios naturais. Sendo que alguns dos blocos estão em áreas consideradas sensíveis e importantes para o ecossistema, inclusive de recifes, que são berçários de vida marinha, como no caso do Parque Nacional de Fernando de Noronha e da reserva biológica do Atol das Rocas.

 

Ao menos 4 ações civis públicas já foram protocoladas na justiça nos estados de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Norte, na tentativa de barrar o leilão.

 

Riscos ao meio ambiente

 

A possibilidade de exploração petroleira na região provocou reação de autoridades e especialistas de Pernambuco. Uma nota técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) afirmou ser “temerária” a inclusão dessa área no leilão desta quinta.

 

“Considerando a propagação por longas distâncias de ondas sísmicas, a grande mobilidade de algumas espécies marinhas, a ação das correntes marítimas sobre a propagação do óleo e o histórico de invasão de espécies exóticas, associadas às atividades de exploração de petróleo e gás, toma-se temerária a inclusão dos blocos exploratórios da Bacia Potiguar”, disse o texto.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou pelas redes sociais que não reconhecer as recomendações técnicas “é uma atitude temerária”.

 

“É preciso ter em vista os impactos que são gerados nessa fase, com significativa influência sobre a biodiversidade marinha. Principalmente quando uma das áreas escolhidas para a prospecção fica próxima ao Arquipélago de Fernando de Noronha, uma zona de proteção ambiental de importante significado para Pernambuco e para o Brasil”, disse o governador.

 

Do mesmo modo, estudo realizado pelo instituto Arayara revela que ao menos 33 cidades catarinenses seriam impactadas pelos impactos da exploração de petróleo no litoral de Santa Catarina.

 

Segundo a ANP, os blocos que não foram arrematados deverão ser incluídos na Oferta Permanente, que consiste na disponibilidade contínua de campos ofertados em licitações anteriores que não foram arrematados ou, então, que foram devolvidos à agência. “Os blocos não arrematados integrarão a Oferta Permanente, com exceção dos localizados além das 200 milhas, que dependem de autorização do CNPE”, afirmou Saboia.

 

O ministro Bento Albuquerque disse que “provavelmente” serão realizados mais dois leilões este ano, um relativo ao excedente da Cessão Onerosa, com campos de Sépia e Atapu, previsto para 17 de dezembro, e o terceiro leilão da Oferta Permanente "dependendo do interesse da indústria para que ele se realize".

 

Assim sendo, tivemos hoje uma grande vitória, mas a luta em defesa do mar do Brasil continua!


Informações G1 de O Globo e Instituto Arayara

Foto: Ricardo Moraes/Reuters 

 Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e do Meio ambiente.
Comunicadora Formada em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos

Autora dos Livros:

Uma Escolha pela Vida - A Importância de Nossas Escolhas Diárias de Consumo & Veganismo em Rede - Conexões de um Movimento em Expansão