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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Nova marca de leite vegano na Índia tem seu próprio santuário para resgatar vacas

Cada caixa de leite vegano Oatish vendida ajudará as vacas na Índia a escapar do setor de laticínios. Laticínios são um grande negócio na Índia e comprometem o bem-estar animal.

A recém-lançada marca de leite vegetal vegano da Índia, Dancing Cow, prometeu remover fisicamente as vacas do setor leiteiro, resgatando-as e realocando-as em seu santuário de fazenda próprio.

Os esforços de resgate estão ligados ao lançamento do primeiro produto da marca: uma combinação de leite, chamado Oatish, que usa aveia, painço e feijão mungo. A cada 10.000 litros vendidos, uma vaca ou búfala leiteira será libertada, mediante indenização legítima e justa. Após sua libertação, elas poderão viver o resto de suas vidas em paz. 

Além disso, para cada 10 litros vendidos, a Dancing Cow adicionará 10 tijolos ao seu santuário, criando assim espaço para mais animais resgatados na Índia.

Juntamente com o resgate de vacas, para cada 100 litros de Oatish vendidos, a Dancing Cow plantará três árvores. Além de doar cinco por cento de todos os lucros para uma organização sem fins lucrativos.

A nova marca vegana na Índia visa erradicar a exploração de animais leiteiros, uma vaca de cada vez.

Os criadores da Dancing Cow fundaram a marca de leite vegan com os princípios orientadores de impactar positivamente o meio ambiente e a saúde humana. Como tal, oferece comparações rígidas com laticínios comuns em seu site. Refere-se a isso como “reclamação de vacas”.

“Acreditamos que cada pessoa tem o poder de fazer a diferença no mundo ao optar por consumir alimentos à base de plantas”, disse Aarohi Surya, fundador da Dancing Cow, em comunicado.

“Nossa nova marca alternativa de lácteos oferece aos consumidores uma escolha deliciosa, saudável e ética que ajuda a proteger os animais, o meio ambiente e a saúde humana".

Dancing Cow diz que Oatish é responsável por 81% menos emissões de gases de efeito estufa do que a produção de leite de vaca. Além disso, 67% menos energia é necessária para produzir o leite vegetal, que contém 60% menos calorias.

A bebida vem em dois sabores: simples extra cremoso e rico em chocolate. Ambos são veganos, sem glúten e enriquecidos para fornecer vitaminas e cálcio.

O Dr. Atmakrui investigou a indústria de laticínios da Índia no filme vegano Maa Ka Doodh

A Índia abriga o maior setor de laticínios do mundo. Na última contagem, mais de 48 milhões de bovinos leiteiros viviam no país. No entanto, apesar da grande população, há pouca proteção previdenciária no local.

No início de março, o novo documentário Maa Ka Doodh expôs a verdade sobre a indústria de laticínios da Índia.

Filmado ao longo de dois anos, ele revelou os impactos multifacetados do aumento da produção de laticínios da Índia.

Em particular, imagens frequentes de animais brutalizados levam a mensagem anti-lácteos subjacente para casa.

Elogiado por sua franqueza e revelações investigativas, Maa Ka Doodh ganhou vários prêmios.


Fonte: Plant Based News

 Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e do Meio ambiente.
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quarta-feira, 8 de março de 2023

Primeiro santuário para animais resgatados de touradas é inaugurado na Colômbia

  


O primeiro santuário animal do mundo dedicado à proteção dos animais explorados em touradas acaba de ser fundado na Colômbia.

 

De acordo com Miguel Aparicio, fundador do Reserva Toro Bravo, à medida que o Congresso colombiano caminha para a proibição das touradas, milhares de touros correm o risco de serem enviados para matadouros. E seu objetivo é evitar que isso aconteça.

 

Atualmente, o santuário já acolhe 7 touros e vacas e continua trabalhando para oferecer a mesma oportunidade a outros animais.

 

Todos os anos, aproximadamente, 180 mil touros são mortos em touradas em todo o mundo, com muitos outros mortos ou feridos em eventos de festa de touros, de acordo com a Humane Society International.

 

Embora muitos países já tenham banido esses eventos cruéis, existem aqueles onde essa prática ainda ocorre, como Espanha, França, Portugal e alguns da América Latina.

 

Especificamente na Colômbia, o Senado votou recentemente um projeto de lei para proibir as touradas em todo o país. A legislação é apoiada pelo presidente eleito do país, Gustavo Petro, mas ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Representantes.

 Dizy Ayala

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Ação civil pública pelo fim do abate de vacas grávidas. Assine a petição!

 


A @animalequalitybrasil e as organizações de proteção animal @alianima.br, @forum.animal, @sinergiaanimalbrasil, com o apoio da Associação dos Fiscais Agropecuários do RS (AFAGRO) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA), protocolaram no dia 26/01/22, uma Ação Civil Pública (ACP) pedindo a proibição do transporte e abate de fêmeas em estágio avançado de gestação. A ACP irá tramitar na Vara Especializada em Meio Ambiente de Curitiba (PR).

 

As organizações autoras da ação civil pública apontam que as fêmeas gestantes são consideradas animais inaptos a viajar e, quando transportadas para os frigoríficos, podem sofrer de exaustão, são mais suscetíveis ao aborto e ao parto prematuro, estresse térmico, desidratação, lesões e distúrbios metabólicos. Além disso, durante a morte da fêmea, o feto não é insensibilizado e existem evidências científicas que fetos de mamíferos têm capacidade de sentir dor e de sofrer.

 

E para acabar com essa crueldade, como VOCÊ pode ajudar?

Assine e compartilhe a petição pelo fim do abate de vacas grávidas com o máximo de pessoas https://animalequality.org.br/participe/abate-vacas-prenhes

 

Fonte: Animal Equality Brasil

Nota do Blog: Você, também, pode deixar de consumir produtos de origem animal, que carregam em si exploração, sofrimento e morte. Não só a indústria da carne, mas, particularmente, a indústria do leite e seus derivados explora as vacas, separando mães e filhos, para que o leite sirva aos humanos.

Os bezerros são abatidos como descarte ou como ossobuco, baby beef. E as vacas mães, exploradas, sem trégua, por volta de três anos, com repetidas gestações forçadas, para sempre gerar leite, são mandadas para o matadouro. É por isso que muitas delas estão prenhes quando seguem para o abate. Um ciclo de violência e crueldade.

Temos diversas opções de leites vegetais, nutritivos e saborosos, sem o sacrifício de inocentes vidas animais. Experimente! Ganhe saúde e preserve vidas com escolhas compassivas.


 Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Búfalas de Brotas – crueldade com animais expõe a realidade da indústria de laticínios.




O caso teve início há pouco mais de uma semana, em Brotas (SP), quando um fazendeiro da pecuária de leite desistiu da atividade por questões, meramente, financeiras, trocando a atividade por produção de milho e soja para alimentar animais tidos como de produção. O fato é que ele, simplesmente, abandonou seu rebanho, nada menos que 1000 búfalas, sentenciando os animais à morte, lenta e dolorosa.

Como o fazendeiro foi arrendando a propriedade para o cultivo, acabou por encurralar as búfalas em um pequeno espaço de terra, sem que as mesmas tivessem qualquer fonte de alimento ou água. Com a apuração da polícia, presume-se que tal situação já perdura por quatro meses!

Por conta de serem fêmeas explorados para o leite e seus derivados, como o queijo de búfala, a maioria delas está grávida, o que agrava ainda mais a terrível situação a que foram submetidas.

Búfalas vieram a óbito com seus bebês no ventre, outras deram à luz e não sobreviveram, bem como muitos dos filhotes.

Assim que tomaram conhecimento do caso, um coletivo de protetores se organizou, junto ao grupo do Santuário Vale da Rainha. Eles tiveram autorização judicial para adentrar na propriedade. Patrícia, que junto ao esposo são os mantenedores do santuário, relatou que no primeiro momento a cena era desoladora, com várias carcaças, odor pútrefo e evidências do desespero dos animais, ao constatar as cascas das árvores arrancadas, como uma tentativa de alimentação. Estava evidente que além de um crime contra os direitos dos animais, também um crime ambiental estava ali configurado.

O proprietário da fazenda foi preso no dia 11/11 e liberado após pagamento de fiança. Foi autuado por maus tratos e irá responder por cada animal encontrado.

Foi, então, montado um hospital de campanha para atender os animais, lhes prestando os primeiros socorros, para evitar mais mortes em agonia. Porém, o fazendeiro proibiu, no último fim de semana, a entrada dos protetores para prestar esse serviço voluntário para salvar os animais. O que só foi revogado ao final deste domingo.

Hoje, com representação jurídica, junto à OAB, na pessoa de Reynaldo Velloso, medidas cabíveis serão adotadas para responsabilizar, criminalmente, o fazendeiro e auxiliar os protetores para que possam dar seguimento ao trabalho de salvar vidas.

O caso tem gerado forte comoção pela situação de total abandono e agonia a que essas búfalas foram submetidas, em estado de prenhes.

Faço minhas as palavras de vários protetores, inclusive Patrícia, que mesmo diante de toda dor que presenciou, enfatizou que não se trata de demonizar o fazendeiro. Sim, ele tem de ser responsabilizado pelo crime de negligência que cometeu, inclusive crime ambiental. Muitos desses animais que morreram nem mesmo foram enterrados, pois ali há um lençol freático para o qual há risco de contaminação.

Para além desse crime hediondo, é fundamental que todos nós façamos uma revisão de consciência sobre nossas escolhas. Qual o impacto que elas geram? Quanta dor e sofrimento geram a outras vidas? Quanta degradação moral e ambiental a impactar o planeta?

O consumo de leite, queijo e outros derivados financia esse sistema cruel que é a pecuária leiteira. Animais são tratados como mercadoria e, quando não se tem mais interesse, são descartados.

Nas prateleiras dos supermercados estão os produtos dessa abjeta exploração e cabe a cada um de nós escolher aqueles livres de crueldade, para que não sejamos cúmplices do fazendeiro.

 

Agradecemos a todos os protetores que estão, com amor e coragem, cuidando desses animais.

A quem tocar o coração, peço que compartilhe esse artigo para que o caso ganhe mais visibilidade.

Para seguir acompanhando, acesse @bufalas_de_brotas

Quem puder colaborar com qq valor, o PIX é 14732153/0001-38

 

Imagem do inquérito publicada por Reynaldo Velloso

Informações a partir do relato de ativistas e de Patrícia, mantenedora do Santuário Vale da Rainha.


💗

ATUALIZAÇÃO: Presidente da ONG ARA, Alex Parente ficou como fiel depositário de todos os animais da Fazenda Água Sumida em Brotas, SP. Agora, cabe ao judiciário manter essa decisão.

 Dizy Ayala

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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Governo do Brasil autoriza o abate de vacas prenhas e profissionais do setor pecuário discordam


Novas regras ampliam período máximo de gestação permitido para abate de fêmeas grávidas e preveem protocolo para o descarte dos bezerros

Matéria de CLEYTON VILARINO veiculada na ed. online de Globo Rural

 

Uma portaria publicada pelo Ministério da Agricultura no dia 23/7, atualizando as normas técnicas federais de manejo pré-abate e de abate humanitário, pegou de surpresa fiscais agropecuários e órgãos de proteção animal ao incluir, entre os protocolos de bem-estar animal, parâmetros para o abate de animais prenhes.

Embora já fosse autorizado o abate das vacas em qualquer tempo de gestação, a prática regulamentada pelo novo protocolo de bem-estar animal é para fêmeas que estejam com até 90% da gestação completa – o que no caso de vacas, equivaleria ao oitavo dos nove meses de gestação.

“O que a gente esperava de uma portaria de abate humanitário é que fosse proibido o abate de vacas na fase final de gestação. Mas, para a nossa surpresa, a portaria regulamentou o abate de vacas em fase final de gestação”, comenta a fiscal estadual agropecuária do Rio Grande do Sul, Raquel Cannavô.

Com seis anos de atuação na fiscalização de frigoríficos, ela lembra que até 2017, a legislação vedava a destinação de carcaças de fêmeas abatidas prenhes para o consumo in natura, o que desestimulava a prática.

Desde 2017, o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) permite, então, o abate de vacas prenhas. A mudança, segundo Cannavô, gerou um aumento no envio de vacas prenhas para abate no Rio Grande do Sul, que praticamente triplicou.

“Na prática, tornou-se comum, ocorre quase todo o mês, de uma vaca parir no curral do frigorífico, momentos antes do abate”, relata a fiscal estadual agropecuária ao lembrar que, durante o transporte do animal prenhe, também ocorre sofrimento.

“Na verdade, essas vacas não deveriam nem ser transportadas porque isso, por si só, já é um desrespeito ao bem-estar animal. Inclusive, as recomendações da OIE são de que essas vacas, em fase final de gestação, só sejam transportadas em caso de atendimento veterinário”, explica Cannavô.


Surpresa

Publicada em edição extra do Diário Oficial, a atualização das normas de abate humanitário surpreendeu o coordenador de Agropecuária Sustentável da World Animal Protection, Daniel Cruz.

Segundo ele, que há dez anos participa de grupos de estudos junto com o setor privado e com o Ministério da Agricultura para discutir as normas de bem-estar na fase final de vida dos animais de produção, o governo chegou a fazer uma consulta pública sobre o tema, mas as discussões estavam paradas.

“Ninguém ficou sabendo muito o que aconteceu porque a gente não estava esperando mesmo o lançamento dessa nova normativa”, comenta Cruz, ao destacar que a portaria também trouxe avanços positivos relacionados ao detalhamento sobre o processo de insensibilização prévia dos animais antes do abate e a inclusão de regras de transporte nas práticas de manejo pré-abate.

Em relação aos protocolos para o abate de fêmeas prenhas, Cruz acredita que o Ministério da Agricultura tenha sofrido algum tipo de pressão para incluí-lo na portaria, já que foi o ponto que gerou maior insatisfação entre os setores envolvidos no assunto.

“Com certeza, ela sofreu pressão de algum setor ou de alguém para que isso fosse aprovado. Porque, hoje, isso é unânime quando você vai conversar com o pessoal de bem-estar. Até os próprios veterinários que trabalham em frigoríficos estão super contrariados porque quem é que gostaria de abater um animal prenhe? Existe também uma questão ética”, completa Cruz.

A cena realmente não é das melhores, segundo descreve a fiscal estadual agropecuária, Raquel Cannavô. “A mãe é insensibilizada, mas o feto não é insensibilizado – o que já contraria as regaras e abate humanitário. E esse feto fica se debatendo dentro do útero durante toda a etapa de sangria da vaca, que dura três minutos", conta.

E complementa: "Quando termina a sangria, esse feto é retirado de dentro da barriga da mãe ainda dentro do útero inteiro, onde ele continua vivo por mais alguns minutos até morrer de asfixia, de forma agônica”, relata a veterinária ao destacar que a situação também gera mal-estar para os próprios trabalhadores do frigorífico.

“Muitos não sabem que essas vacas estão prenhas, outros por questões econômicas precisam do dinheiro do gado e mandam o quanto antes. E ainda tem aqueles que acreditam que há um maior rendimento de carcaça com uma vaca gestante”, relata a fiscal agropecuária. 

O mesmo relato já foi ouvido por Cruz, da World Animal Protection. “Muitos produtores cobrem (emprenham) essa vaca que vai ser mandada para abate porque acham que quando ela entra no cio ela perde capacidade de ganhar peso. Isso já foi desmascarado, só que a gente ainda tem muitos produtores com essa cultura na cabeça”, pontua Cruz.

Segundo Cannavô, o rendimento de carcaça de uma vaca gestante é, inclusive, inferior ao de uma vaca que não está prenhe. “O que você tem de peso ali é o peso do útero, peso de líquido. E na fase final de gestação, os nutrientes em si vão para o feto em grande parte, e não para a carcaça”, pontua a veterinária o ressaltar que a prática é antieconômica.

“Isso tudo pode ser facilmente evitado, toda essa questão de bem-estar animal e de prejuízo econômico, com o diagnóstico de gestação antes de enviar esses animais para o abate. Uma apalpação que qualquer peão treinado pode fazer consegue detectar que a vaca está na fase final de gestação”, completa a veterinária.

Nota do Blog:

O abate de animais em si é desnecessário, pois podemos obter proteína de fontes vegetais, sem o sacrifício e morte de qualquer animal. Já é conhecido o quanto os animais tidos como de produção sofrem, particularmente as fêmeas, que são induzidas ao cio e inseminadas para geração de filhotes.

No caso das vacas, em específico, elas têm de estar constantemente grávidas para produção do leite. O desgaste contínuo da ordenha e sucessivas gravidezes fazem com que a mãe vaca, que viveria em torno de 25 anos, fique debilitada a tal ponto que é, então, enviada para o matadouro, no máximo, em 5 anos.

Também já foi divulgado que, justamente, por conta das sucessivas gravidezes, 50% das vacas eram mortas grávidas. Um horror! Ao que o setor pecuário e, particularmente, o de bem-estar animal já exigia fiscalização.

Pois, agora, esse ato criminoso passa a ser regulamentado e choca a todos, defensores dos animais ou não.

A você que leu essa matéria até aqui, eu clamo:

Mais do que ficar indignado com o governo e a bizarra regulamentação, faça você a diferença e retire a violência do prato! Há tantas opções nutritivas e saborosas! É preciso parar o holocausto animal, para que não se perca, por completo, nosso senso de ética, humanidade e compaixão.


Dizy Ayala

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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Sobre mães e filhos. As confissões chocantes de um trabalhador de matadouro que se tornou ativista pelos direitos dos animais.





Mauricio Pereira denunciou o tratamento cruel no maior matadouro da França, em 2016. Virou ativista, vai abrir um restaurante vegetariano e conta tudo em livro.
        
texto
Daniel Vidal

Mauricio García Pereira era só mais um funcionário num dos maiores matadouros da França. O espanhol tinha apenas um trabalho: retirar as vísceras dos corpos dos animais abatidos. Num dia como outro qualquer, sentiu algo de estranho entre os órgãos que lhe chegavam despejados num tapete rolante. No meio do sangue, reparou num pequeno órgão estranho, cor de rosa vivo. Agarrou-o, ainda quente. Quando percebeu do que se tratava, ficou incrédulo, largou a faca e praguejou. Era o feto de um bezerro ainda com vida. Confrontou o chefe que simplesmente ordenou que fizesse o que fazem sempre: tudo para o caixote do lixo.

Quando fez as primeiras denuncias em 2016, as suas revelações provocaram uma onda de indignação na França. Antigo trabalhador do matadouro de Limoges, o espanhol desvendou as condições tenebrosas em que os animais eram mortos. Agora resume tudo em “Maus-tratos Animais, Sofrimento Humano”, publicado na França em 2018 e lançado em 04 de junho em sua versão espanhola – ainda não existe versão em português.

“Quem vem trabalhar por aqui não pode ter escrúpulos”, chegou a dizer a Mauricio o diretor do matadouro de Limoges. O espanhol manteve-se no posto durante quase sete anos, período em que fez questão de registrar e fotografar os comportamentos mais chocantes. Passou a ser uma espécie de agente infiltrado e as imagens que captou com uma câmara oferecida pela L214 – uma associação fundada em 2008 e que luta pelo fim dos maus-tratos animais – correram o mundo.

Apesar de toda a polêmica, tudo se manteve na mesma. “Falei com antigos colegas do matadouro e pouca coisa mudou. Fizeram obras para melhorar a maneira de receber e matar os animais, mas a cadência é a mesma e continuam a matar vacas prenhas”. Durante a sua passagem pelo matadouro, todos os dias eram abatidos entre 20 a 30 bezerros ainda nas placentas, revelou em entrevista ao jornal espanhol “Público”. A denúncia custou-lhe o emprego, embora admita que o voltaria a fazer tantas vezes quantas fossem necessárias.

O espanhol, nascido na Alemanha, era um ávido consumidor de carne. Comia chouriços e presunto todos os dias. Hoje, são raras as ocasiões em que come “um pouco de frango, uma vez por outra”, confessou em entrevista ao “El Mundo”. O trauma de sete anos a atirar bezerros para o lixo tornaram Mauricio um ativista, embora negue que seja possível um “abate ético dos animais”. “Ético não, mas com menos sofrimento, sim, é possível”.

No livro, Mauricio revela a sua própria experiência traumática no matadouro de Limoges para que sirva de denúncia e também de exemplo. Começou a operar numa cadeia onde passavam 35 vacas abatidas por hora. “Soava um ruído e o tapete avançava. Recordo o som e o odor de sangue seco que te obrigam a aprender a respirar pela boca”, explicou ao diário espanhol.

Fechado em salas claustrofóbicas, sem janelas e rodeado de odores intensos e ruídos, Mauricio fez de tudo: de limpar medulas a furar cabeças de bezerros com uma pistola de ar comprimido – tudo para que flutuassem na água a ferver.
A vida numa destas fábricas da morte não é fácil. O próprio confessa ter sido obrigado a recorrer à medicação para conseguir dormir. Quando nada funcionava, refugiava-se no álcool. “Tinha de tomar drogas e álcool, sobretudo álcool, para poder dormir sem pesadelos durante sete horas seguidas”.

“Podes tapar os ouvidos, mas acabas sempre por ouvir o ruído das mães a chamarem pelos bezerros”.

“Nem todos podem trabalhar num matadouro. Podes tapar os ouvidos, mas acabas sempre por ouvir os gritos dos animais, o ruído das mães a chamarem pelos bezerros (…) e os guinchos agudos dos porcos”, conta ao “Público”.

Apesar de ter deixado de vez a indústria alimentar, prepara-se para abrir um restaurante, precisamente em Limoges. No cardápio, não haverá qualquer vestígio de carne: será um espaço vegetariano. O nome transparece a sua experiência de vida, irá chamar-se A Transição. “A minha mentalidade deu uma volta enorme”, diz quando confrontado com a hipótese de voltar a trabalhar num matadouro, ao que nega de pronto.

Hoje, Mauricio dá palestras por toda a Europa e continua a lutar por melhores condições no abate dos animais. Quanto às consequências que este consumo desenfreado pode ter no meio-ambiente, mantém-se otimista. “Os jovens têm uma consciência ecológica que não existia antigamente. A sociedade começa a perceber que ou mudamos as coisas, ou a este ritmo não vemos o próximo milênio”.
        
Reportagem revista 4MEN



Dizy Ayala

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