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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Como a alimentação à base de plantas contribui com os 5 pilares do desenvolvimento sustentável, proposto pela ONU?

 


Em 2015, a Organização das Nações Unidas criou uma nova agenda de desenvolvimento sustentável, para até 2030, para 193 países, incluindo o Brasil.

 

Nessa agenda, há 17 objetivos, que podem ser resumidos e categorizados em 5 pilares: Planeta, Pessoas, Prosperidade, Paz e Parcerias.

 

Planeta

Um sistema alimentar que prioriza os vegetais reduziria o número de animais explorados, o desmatamento, o consumo de água e emissões de gases do efeito estufa.

 

Alguns impactos do atual sistema alimentar, baseado na exploração de animais, incluem:

 

Globalmente, 60% dos mamíferos (não humanos) e 70% das aves são explorados para consumo. Ou seja, há mais animais criados para o consumo que animais selvagens no Planeta.

 

A agropecuária brasileira é o setor que emite cerca de 69% de todas as emissões de CO2 no país.

 

Para produzir 1kg de carne é necessário usar 15.400 litros de água.

 

Cerca de 75% de toda a área desmatada na Amazônia, após 1970, estava coberta por pasto, em 2018.

 

Por outro lado, em 1 ano, consumindo alimentos de origem vegetal, VOCÊ:

 

• Salva 365 animais;

• Deixa de emitir 3.311 kg de CO2;

• Economiza 401.500 galões de água;

• Salva 1.017 m² de floresta.

 

(Fontes: Embrapa; SEEG/Observatório do Clima; The Vegan Calculator; Cowspiracy; Mercy for Animals)

 

2 Pessoas

A alimentação à base de plantas traz benefícios para a saúde pública e o aumento da segurança alimentar.

 

O consumo de carne está relacionado a:

• Maior risco de doenças cardiovasculares;

• Diabetes tipo 2;

• Câncer;

• Resistência microbiana.

 

No sistema atual:

83% das terras agrícolas, no mundo, são utilizadas para produzir alimentos de origem animal, mas produzem apenas 15% das calorias necessárias para alimentar a humanidade.

 

(Fontes: American Heart Association, Harvard Health Publishing, The American Journal of Clinical Nutrition, Diabetes Care, World Câncer Research Fundo, American Institute for Cancer Research, Mercy for Animals, Alimentação Consciente Brasil)

 

3 Prosperidade

Seria possível gerar novos empregos e movimentar a economia, através do desenvolvimento de inovações e soluções sustentáveis.

 

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, a descarbonização e transição para uma economia neutra em carbono tem potencial de gerar 22.5 milhões de empregos até 2030, na América Latina, sendo 19 milhões associados à transição para produção de alimentação rica em vegetais.

(Fontes: Jobs in a net-zero emissions future in Latin America and The Caribbean/ILO)

 

4 Paz

Todos os seres viveriam em uma sociedade pacífica, justa, inclusiva e livre da violência.

 

Práticas comuns como confinamento, a separação de mães e filhotes, transporte estressante, abate violento e outras formas de exploração, que geram extremo sofrimento, teriam fim.

 

Inclusive, cessariam as atividades estressantes de empregados de matadouros, que, comprovadamente, apresentam transtornos psicológicos, após alguns anos de atividade, pelo ato contínuo de matar, e que estão, também, expostos a sérios acidentes no ambiente de trabalho, com lâminas de corte.

 

5 Parceria

Um trabalho feito em união promove, fortalece e aumenta a proporção de mudanças, duradouras e benéficas, para todas as partes.

 

Ajude a transformar o sistema alimentar para que seja justo e sustentável. Considere uma alimentação 100% vegetal.

 

Fonte: Mercy for Animals 


Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e da Natureza.
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segunda-feira, 6 de março de 2023

Acordo histórico para proteger as águas internacionais finalmente é alcançado na ONU

 


Após quase 20 anos de negociações, os estados membros das Nações Unidas concordam com a criação de uma estrutura legal de proteção para partes do oceano, fora das fronteiras nacionais.

 

"O tratado histórico é crucial para fazer cumprir a promessa 30x30, feita pelos países na conferência de biodiversidade da ONU, em dezembro, de proteger um terço do mar (e da terra) até 2030.

 

Sem um tratado essa meta, certamente, falharia, pois, até agora, nenhum mecanismo legal existe para estabelecer áreas marinhas protegidas (AMPs) em alto mar.

 

Cobrindo quase dois terços do oceano, que fica fora das fronteiras nacionais, o tratado fornecerá uma estrutura legal para o estabelecimento de vastas áreas marinhas protegidas contra a perda de vida selvagem e para compartilhar os recursos genéticos do alto mar.

 

Também irá estabelecer uma conferência das partes (COP) que se reunirá, periodicamente, e permitirá que os Estados membros prestem contas sobre questões como governança e biodiversidade.

 

Os ecossistemas oceânicos produzem metade do oxigênio que respiramos, representam 95% da biosfera do planeta e absorvem dióxido de carbono, sendo o maior sumidouro de carbono do mundo.

 

No entanto, até agora, as regras fragmentadas e pouco aplicadas que regem o alto mar tornaram essa área mais suscetível à exploração do que as águas costeiras.

 

Fonte: The Guardian


 Dizy Ayala

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terça-feira, 5 de outubro de 2021

SOS litoral do Brasil: MPF e ONGs movem ação contra exploração de petróleo, de Noronha até o litoral catarinense.

Um leilão de 92 novos blocos para exploração de petróleo em todo o país está marcado para o próximo dia 07 de outubro. Será a 17ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás. 

Blocos tem impacto direto e sobreposição a algumas das regiões mais sensíveis e importantes do ecossistema de recifes do país. Trata-se da "Cadeia de Fernando de Noronha", que envolve a sequência de montes submarinos que se conecta no litoral e que forma o arquipélago de Fernando Noronha e a reserva biológica Atol das Rocas. Região de biodiversidade única, a área é fundamental para preservação ambiental, da população local e do turismo.

O arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas foram reconhecidos em 2001 como Patrimônio Natural Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura.

A diretora de educação e projetos do Instituto Arayara, Suelita Racker, explica que o risco decorre tanto da possibilidade de grandes vazamentos acidentais, como ocorreu no Nordeste do país em 2019, com forte impacto sobre as praias e o turismo, quanto de vazamentos inerentes à própria atividade de exploração de petróleo.

A entidade denuncia que um estudo chamado Avaliação Ambiental de Áreas Sedimentares (AAAS) não teria sido feito. Pareceres de órgãos como Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), também, teriam sido desconsiderados no processo de autorizações do leilão de concessão.

Sem esses estudos, afirma a diretora do Arayara, não haveria informações sobre o risco envolvido para as regiões a serem leiloadas, em especial na Bacia de Pelotas, que abrange a costa do Rio Grande do Sul e do Litoral Sul de Santa Catarina, até a altura de Florianópolis.

Ainda de acordo com o Instituto Arayara, a atividade de exploração de petróleo nessas áreas representaria, em caso de vazamentos ou desastres ambientais, risco para 35 cidades do Litoral de SC – praticamente toda a costa catarinense.

Estadão teve acesso a um estudo técnico realizado por pesquisadores e professores do Departamento de Oceanografia (Docean) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP). Os especialistas se debruçaram sobre os dados técnicos dos blocos que serão oferecidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O levantamento revela que, entre os 92 blocos que a ANP vai ofertar para exploração de grandes petroleiras, estão aqueles da chamada "Bacia Sedimentar Potiguar", uma área que tem blocos com impacto direto em três bancos submarinos da cadeia de Fernando de Noronha. São os chamados bancos Guará, Sirius e Touros.

Os estudos revelam que dois desses blocos atingem diretamente cerca de 50% da área da base do monte Sirius e 65% de seu topo. Do fundo do mar, o Sirius avança em direção à superfície e chega a ficar a apenas 54 metros abaixo do nível do mar. Trata-se, portanto, de uma área extremamente rasa.

O mesmo impacto direto foi identificado sobre os bancos Guará e Touros. Localizado na região oeste da cadeia de Noronha, o Sirius é o banco mais importante para manter a ligação dos ecossistemas oceânicos da região Nordeste.

Entre ele e o arquipélago de Noronha está localizado o Atol das Rocas. Dada a sua importância ecológica, o Atol se tornou, ainda em 1979, a primeira unidade de conservação marinha do Brasil. Hoje, é classificado como uma reserva biológica.

"As pessoas conhecem o arquipélago de Noronha e o Atol, mas os bancos que fazem parte desse ecossistema, e que são pouco conhecidos, têm a mesma relevância e riquezas e são vitais para que todo o conjunto seja preservado, porque estão conectados", diz Mauro Maida, professor do Docean/UFPE, que assina o estudo com Moacyr Araújo, Beatrice Padovani Ferreira (Docean/UFPE) e Julia Araujo (IO-USP).

Questionada pela reportagem, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) declarou, por meio de nota, que a rodada de licitações foi aprovada após manifestação conjunta dos ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente (MMA).

Segundo a ANP, "os normativos em vigor a respeito das diretrizes ambientais foram cumpridos integralmente" e ajustes pedidos pelos órgãos vinculados ao MMA foram acatados, além de as informações ambientais "relevantes e disponíveis" terem sido tornadas públicas.

Até o início deste mês, nove empresas tinham se inscrito para o leilão: Petrobras, 3R Petroleum, Chevron, Shell, Total Energies EP, Ecopetrol, Murphy Exploration & Production Company, Karoon Petróleo e Gás e Wintershall Dea.

Foram realizadas audiências públicas em vários municípios para alertar sobre os impactos danosos da atividade no litoral do Brasil, para fauna e flora marinha, o risco de vazamentos e, também, impactos no mercado imobiliário e turismo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo (a matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN) e Jornal NSC (Nossa Santa Catarina). 

Audiências públicas foram mobilizadas pelo Instituto Arayara e Obervatório do Petróleo.

(Foto: Thinkstock)

 Dizy Ayala

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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Mais de 50 ONGs globais convocam COP26 a ser baseada em plantas

Líderes mundiais estão sendo convocados a reconhecer o papel da pecuária na aceleração das mudanças climáticas. Evento acontece em novembro deste ano (2021), em Glasgow, na Escócia, Reino Unido.

Entre as organizações estão a RSPCA e a ProVeg International, que estão convocando líderes mundiais para reconhecer o impacto ambiental causado pelas indústrias de carnes e laticínios. 

As convocatórias para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas deste ano, também conhecida como COP26, também propõe que o evento ofereça um menu totalmente baseado em plantas. O pedindo foi encaminhado ao presidente da cúpula, MP Alok Sharma.

COP26 é convocada a ser baseada em plantas

Os apelos estão sendo feitos a fim de reconhecer o impacto catastrófico da pecuária nas mudanças climáticas, tema principal a ser discutido no evento, para que se cumpram metas climáticas globais efetivas.

Entre as 50 organizações estão Humane Society International, World Animal Protection, Animal Equality, ProVeg International e a RSPCA.

Fundamentalmente, essas organizações querem que os líderes globais se comprometam a reduzir o consumo de carne e laticínios, a fim de limitar o aquecimento global, conforme o Acordo de Paris.

De acordo com o documento: “Abordar essas questões urgentes na reunião da COP26 ajuda a impulsionar os governos em todo o mundo a agirem, proporcionando aos líderes mundiais outra opção de alto impacto para adicionar a sua caixa de ferramentas para combater a mudança climática”.

“Trabalhar com os agricultores para apoiar e catalisar uma mudança em direção a uma produção e consumo de alimentos mais centrados em plantas é um passo proativo. Isso deve ser levado para as indústrias agrícolas e alimentares globais para que estejam preparadas para o futuro. 

“Pedimos à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) que reconheça, formal e publicamente, o papel da pecuária como um dos maiores contribuintes para as mudanças climáticas. E, para abrir um espaço maior ao diálogo”.

Tais reivindicações acontecem porque as dietas à base de vegetais são consideradas uma das ações mais eficazes no combate às mudanças climáticas. Isso é amplamente aceito entre cientistas e ambientalistas.

“A ciência é clara com relação a quanto a redução do número global de rebanhos pode contribuir com até um quinto da mitigação necessária para cumprir a meta de Paris abaixo de 2° C”, acrescentam as organizações na carta.

Além disso, um político sênior do Reino Unido - do mesmo partido do presidente da COP26 – creditou, publicamente, o aumento nas dietas à base de vegetais como o principal fator para atingir as metas globais de mudança climática no início deste ano.

Oportunidade 'vital' para líderes mundiais

O vice-presidente da Humane Society International para Bem-estar de Animais de Fazenda enviou uma declaração ao Plant Based News sobre as convocações.

Julie Janovsky disse: “Quando se trata dos impactos da pecuária nas mudanças climáticas, não podemos continuar a chutar o balde”.

“Muitos governos e constituintes reconheceram e tomaram medidas para lidar com os impactos do setor de energia e transporte. Mas, os governos ainda precisam adotar políticas para reduzir o impacto da pecuária intensiva em grande escala sobre o meio ambiente”.

“Se quisermos, seriamente, evitar uma catástrofe climática, os líderes mundiais devem reconhecer a ciência. E implementar estratégias para mudar nosso sistema alimentar global para um que reduza, significativamente, a pecuária industrial.

“Reduzir o número de animais criados e abatidos é um componente legítimo e essencial para combater as mudanças climáticas”.

“Ignorar o imenso impacto climático da pecuária industrial não é mais uma opção. E a conferência sobre mudança climática COP26 oferece uma oportunidade vital para os líderes mundiais agirem”.

Outros co-signatários incluem Veganuary, The Vegan Society, Farm Sanctuary e Compassion In World Farming.

Fonte: Plant Based News

 Dizy Ayala

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Plano mundial visa proteger ao menos metade do planeta, em terra e mar, até 2030.

 


A meta de proteger e restaurar sistemas naturais em grande escala é compartilhada por vários grupos e indivíduos. A Wyss Campaign for Nature está trabalhando em parceria com a National Geographic Society para apoiar os objetivos do movimento "30x30", uma iniciativa ambiciosa que visa proteger 30% do planeta, em terra e mar, até 2030.

 

Outra organização chamada Nature Needs Half atraiu cientistas e grupos conservacionistas, incluindo o Sierra Club, para pressionar pela proteção de 50% do planeta até 2030.

 

À medida que o homem continua a expandir rapidamente seu domínio sobre a natureza — desmatando e incendiando florestas, exterminando espécies e interrompendo funções do ecossistema — um número cada vez maior de cientistas e conservacionistas influentes acredita que proteger metade do Planeta de alguma forma será a solução para mantê-lo habitável.

 

A ideia ganhou notoriedade pela primeira vez em 2016, quando Edward O. Wilson, o lendário biólogo conservacionista de 90 anos, publicou a sugestão no livro Da Terra Metade: O nosso planeta luta pela vida.

 

"Agora temos medições suficientes das taxas de extinção e das prováveis taxas no futuro para saber que está se aproximando mil vezes do patamar que existia antes do surgimento da humanidade", afirmou Edward, em entrevista ao jornal americano The New York Times em 2016.

 

Antes considerada uma mera aspiração, essa ideia tem sido levada a sério por muita gente — não apenas como um sistema de segurança para proteger a biodiversidade, mas também para mitigar o aquecimento global.

 

Uma das principais razões para a adoção dessas metas extremas de preservação é um relatório de 2019, da Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), que descobriu que mais de 1 milhão de espécies estão ameaçadas de extinção.

 

Conduzido por centenas de pesquisadores ao redor do mundo, o estudo é considerado a análise mais abrangente já realizada da situação da biodiversidade mundial. Esse relatório concluiu, no entanto, que não são apenas as espécies que estão correndo risco. A infinidade de funções essenciais à vida que essas espécies e ecossistemas exercem também estão ameaçadas — desde água e ar limpos até controle de enchentes e regulação do clima, assim como fornecimento de alimentos e uma série de outros serviços.

 

Além disso, alguns cientistas têm receio de que a superfície da Terra tenha sido tão alterada que o ecossistema global possa estar perto de um ponto crítico, que desestabilizaria o clima e os sistemas biológicos que sustentam a vida, causando uma instabilidade ambiental generalizada — e talvez até desastrosa.

 

O Parlamento Europeu se comprometeu a proteger 30% do território da União Europeia, a restaurar ecossistemas degradados, adicionar metas de biodiversidade a todas as políticas do bloco e destinar 10% do orçamento para a melhoria da biodiversidade.

 

Nos EUA, políticos que trabalham com organizações conservacionistas introduziram recentemente uma resolução para angariar apoio para a proteção de 30% das áreas terrestres e marinhas do país.

 

A defesa dos direitos dos povos indígenas é fundamental para a proteção de alguns habitats naturais de maior biodiversidade do mundo, como a Amazônia brasileira

 

Todos os olhos estão voltados agora para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), um tratado multilateral criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para elaborar um plano de 10 anos para a biodiversidade.

A convenção de 2010 fez um apelo para que 17% das terras e 10% dos oceanos do planeta fossem protegidos de alguma forma até 2020. Essa meta não foi alcançada — cerca de 16% da superfície terrestre e menos de 8% dos ecossistemas marinhos foram protegidas.

 

Portanto, atingir a meta de 2030 exigiria quase o dobro de áreas protegidas em terra, e quatro vezes mais nos mares — tudo isso na próxima década.

É um desafio assustador, mesmo que haja boa vontade, uma vez que alguns países — sobretudo Brasil e Estados Unidos — se movem na direção contrária.

 

O presidente Jair Bolsonaro tomou medidas que podem abrir a Floresta Amazônica para uma onda de desmatamento, exploração madeireira e desenvolvimento agrícola. E, no ano passado, o governo do presidente Donald Trump acabou com o Landscape Conservation Cooperative Network, um programa da era Obama que criou 22 centros de pesquisa para combater problemas de conservação no país.

 

Estima-se que os EUA, sozinho, perde um campo de futebol de natureza a cada 30 segundos. Muito mais terras estão sendo perdidas na Amazônia brasileira, com mais de 25 quilômetros quadrados de floresta tropical sendo queimados ou desmatados todos os dias.

 

Mesmo assim, há motivo para ser otimista. Os relatos de mudanças climáticas em grande escala, incluindo o derretimento do gelo marinho do Ártico, assim como os holofotes voltados para a ativista climática sueca Greta Thunberg, de 17 anos, parecem ter despertado de alguma forma as pessoas.

 

"Os jovens em geral estão focando nas questões ambientais", diz Brian O'Donnell, diretor da Campaign for Nature. "E estamos vendo muito menos uma abordagem isolada, aqueles que trabalham com clima e aqueles que trabalham com conservação estão trabalhando mais juntos".

 

As metas ambiciosas de campanhas como 30x30 e Half Earth enfrentaram críticas. Alguns questionam se o foco em preservar até metade da superfície da Terra contribuirá o bastante para proteger a biodiversidade remanescente.

 

"Quando o IPBES foi lançado, dizia que 1 milhão de espécies estavam ameaçadas", afirma Gary Tabor, presidente do Center for Large Landscape Conservation em Bozeman, Montana, nos EUA.


"Não se trata apenas de salvar espécies, trata-se de manter os processos ecológicos que sustentam toda a vida na Terra. São 1 milhão de espécies interagindo entre si que limpam sua água, fornecem solo fértil, que eliminam o CO2 do ar — é isso que você perde".

 

A prevenção de doenças, por exemplo, é um importante serviço prestado pelo ecossistema de sistemas naturais intactos.

Conforme as pessoas desmatam terras selvagens ou comem animais selvagens, as doenças que essas criaturas carregam podem ultrapassar a barreira das espécies e se espalhar para as sociedades humanas. A pandemia de coronavírus, por exemplo, pode ter se originado em morcegos.

Segundo Tabor, a natureza também precisa ser integrada aos lugares onde as pessoas vivem.

 

"O maior mal entendido sobre o Half Earth é de que haverá uma construção bizarra onde as pessoas vivem de um lado e a natureza do outro", diz ele.

"Isso não funciona em termos de função ecológica, e não funciona porque há valor de conservação fora das áreas protegidas."

 

Conservacionistas afirmam ainda que grande parte de alcançar as metas de 30% ou 50% se refere a apoiar terras indígenas e áreas de conservação comunitárias.

Os povos indígenas ocupam ou controlam 28% das terras do planeta, e mais de 40% das áreas protegidas, segundo o relatório do IPBES, copresidido por Sandra Díaz, professora de ecologia da Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina.

 

Quais são as principais barreiras para reservar 30%, quem sabe até 50%, do planeta para a natureza, mesmo com a população global crescendo rapidamente?

"A maneira como nosso sistema agrícola mundial funciona", diz O'Donnell, da Wyss Campaign for Nature."Incentiva o uso cada vez maior de terras para pecuária e agricultura. Esse é um fator-chave".

 

A Wyss Campaign for Nature está priorizando soluções de financiamento para proteção ambiental. "Estamos estudando o custo da proteção e também observando qual seria o custo se você não protegesse essa quantidade de terra, em termos de serviços ambientais perdidos, água limpa e atividade pesqueira", explica O'Donnell.

 

"Há um custo para conservar a terra, e outro custo se não conservarmos".

E transformar terras em reserva ambiental não é de forma alguma o fim da história. A Campaign for Nature está estudando possíveis fontes de financiamento para que os países possam pagar pelos custos de gerenciamento e proteção dessas terras.

 

Entre as muitas ameaças que grandes extensões de terra enfrentam, incluindo aquelas ostensivamente sob proteção, estão a construção de estradas e a fragmentação. Segundo Tabor, o número de estradas pavimentadas deverá dobrar nos próximos 25 anos, abrindo grandes áreas para a exploração ilegal de recursos, caça clandestina e outras ameaças.

 

"As pessoas irão primeiro para a [floresta] boreal ou para a África Central", para proteger grandes extensões da natureza, acrescenta ele.


"Mas a maior parte onde há biodiversidade está em áreas fragmentadas. Para ter natureza efetiva nessas áreas, teremos que ter uma estratégia de conectividade". O'Donnell concorda que há enormes desafios.


"Assim como a crise climática exige grandes mudanças sistemáticas nas próximas décadas, o mesmo acontece com a biodiversidade", diz ele.

"Há muitas outras coisas competindo por dinheiro e atenção".

 

* Este artigo foi publicado originalmente pela revista americana Yale e360 e republicado pela BBC Future com autorização.


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