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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Caribe anuncia criação da primeira reserva de cachalotes do mundo

 


A ilha caribenha de Dominica anunciou que vai criar a primeira reserva de baleias cachalotes do mundo.

 

O primeiro-ministro do país, Roosevelt Skerrit, disse que a pesca comercial e os grandes navios seriam proibidos numa área ao largo da costa ocidental da ilha, localizada no sul do Caribe.

 

A região é um importante local de amamentação e alimentação para mamíferos ameaçados de extinção.

 

"Os cerca de 200 cachalotes que vivem em nosso mar são cidadãos valiosos da Dominica", disse Skerrit.

 

"Seus ancestrais provavelmente habitavam a Dominica antes da chegada dos humanos. Queremos garantir que esses animais majestosos e altamente inteligentes estejam protegidos de perigos e continuem a manter nossas águas e nosso clima saudáveis", acrescentou o primeiro-ministro.

 

As cachalotes (Physeter macrocephalus) — a maior das baleias dentadas e o maior predador do planeta — têm uma das mais amplas distribuições globais de qualquer espécie de mamífero marinho, tendo sido avistados em águas profundas ao largo do Ártico e da Antártica, bem como ao redor do Equador.

Mas o mar ao largo da Dominica é um dos poucos onde a espécie pode ser encontrada durante todo o ano.

 

A pesca comercial não será permitida na reserva, mas a pesca artesanal será permitida, desde que seja sustentável e não coloque as baleias em perigo.

Os turistas poderão observar as baleias em barcos e até nadar com elas, mas o seu número será restringido pelas novas regulamentações.

 

Os grandes navios serão obrigados a utilizar corredores oceânicos designados para evitar perturbar os mamíferos.

 

Com uma área total de 750 km², um pouco superior a Salvador, na Bahia, Dominica tem uma população de cerca de 70 mil pessoas, cujo idioma oficial é o inglês.

 

Fonte: BBC Brasil


Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e da Natureza.
Comunicadora Formada em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos

Autora dos Livros:

Uma Escolha pela Vida - A Importância de Nossas Escolhas Diárias de Consumo & Veganismo em Rede - Conexões de um Movimento em Expansão

terça-feira, 5 de outubro de 2021

SOS litoral do Brasil: MPF e ONGs movem ação contra exploração de petróleo, de Noronha até o litoral catarinense.

Um leilão de 92 novos blocos para exploração de petróleo em todo o país está marcado para o próximo dia 07 de outubro. Será a 17ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás. 

Blocos tem impacto direto e sobreposição a algumas das regiões mais sensíveis e importantes do ecossistema de recifes do país. Trata-se da "Cadeia de Fernando de Noronha", que envolve a sequência de montes submarinos que se conecta no litoral e que forma o arquipélago de Fernando Noronha e a reserva biológica Atol das Rocas. Região de biodiversidade única, a área é fundamental para preservação ambiental, da população local e do turismo.

O arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas foram reconhecidos em 2001 como Patrimônio Natural Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura.

A diretora de educação e projetos do Instituto Arayara, Suelita Racker, explica que o risco decorre tanto da possibilidade de grandes vazamentos acidentais, como ocorreu no Nordeste do país em 2019, com forte impacto sobre as praias e o turismo, quanto de vazamentos inerentes à própria atividade de exploração de petróleo.

A entidade denuncia que um estudo chamado Avaliação Ambiental de Áreas Sedimentares (AAAS) não teria sido feito. Pareceres de órgãos como Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), também, teriam sido desconsiderados no processo de autorizações do leilão de concessão.

Sem esses estudos, afirma a diretora do Arayara, não haveria informações sobre o risco envolvido para as regiões a serem leiloadas, em especial na Bacia de Pelotas, que abrange a costa do Rio Grande do Sul e do Litoral Sul de Santa Catarina, até a altura de Florianópolis.

Ainda de acordo com o Instituto Arayara, a atividade de exploração de petróleo nessas áreas representaria, em caso de vazamentos ou desastres ambientais, risco para 35 cidades do Litoral de SC – praticamente toda a costa catarinense.

Estadão teve acesso a um estudo técnico realizado por pesquisadores e professores do Departamento de Oceanografia (Docean) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP). Os especialistas se debruçaram sobre os dados técnicos dos blocos que serão oferecidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O levantamento revela que, entre os 92 blocos que a ANP vai ofertar para exploração de grandes petroleiras, estão aqueles da chamada "Bacia Sedimentar Potiguar", uma área que tem blocos com impacto direto em três bancos submarinos da cadeia de Fernando de Noronha. São os chamados bancos Guará, Sirius e Touros.

Os estudos revelam que dois desses blocos atingem diretamente cerca de 50% da área da base do monte Sirius e 65% de seu topo. Do fundo do mar, o Sirius avança em direção à superfície e chega a ficar a apenas 54 metros abaixo do nível do mar. Trata-se, portanto, de uma área extremamente rasa.

O mesmo impacto direto foi identificado sobre os bancos Guará e Touros. Localizado na região oeste da cadeia de Noronha, o Sirius é o banco mais importante para manter a ligação dos ecossistemas oceânicos da região Nordeste.

Entre ele e o arquipélago de Noronha está localizado o Atol das Rocas. Dada a sua importância ecológica, o Atol se tornou, ainda em 1979, a primeira unidade de conservação marinha do Brasil. Hoje, é classificado como uma reserva biológica.

"As pessoas conhecem o arquipélago de Noronha e o Atol, mas os bancos que fazem parte desse ecossistema, e que são pouco conhecidos, têm a mesma relevância e riquezas e são vitais para que todo o conjunto seja preservado, porque estão conectados", diz Mauro Maida, professor do Docean/UFPE, que assina o estudo com Moacyr Araújo, Beatrice Padovani Ferreira (Docean/UFPE) e Julia Araujo (IO-USP).

Questionada pela reportagem, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) declarou, por meio de nota, que a rodada de licitações foi aprovada após manifestação conjunta dos ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente (MMA).

Segundo a ANP, "os normativos em vigor a respeito das diretrizes ambientais foram cumpridos integralmente" e ajustes pedidos pelos órgãos vinculados ao MMA foram acatados, além de as informações ambientais "relevantes e disponíveis" terem sido tornadas públicas.

Até o início deste mês, nove empresas tinham se inscrito para o leilão: Petrobras, 3R Petroleum, Chevron, Shell, Total Energies EP, Ecopetrol, Murphy Exploration & Production Company, Karoon Petróleo e Gás e Wintershall Dea.

Foram realizadas audiências públicas em vários municípios para alertar sobre os impactos danosos da atividade no litoral do Brasil, para fauna e flora marinha, o risco de vazamentos e, também, impactos no mercado imobiliário e turismo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo (a matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN) e Jornal NSC (Nossa Santa Catarina). 

Audiências públicas foram mobilizadas pelo Instituto Arayara e Obervatório do Petróleo.

(Foto: Thinkstock)

 Dizy Ayala

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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Mico-Leão-Dourado ganha primeiro viaduto vegetado do Brasil no Rio de Janeiro


Imagem Andréia Martins/AMLD e Arteris Fluminense
Foi inaugurado no último dia 2/08, o primeiro viaduto vegetado do Brasil. Fica na BR-101, na altura do km 218, na cidade de Silva Jardim, interior fluminense. A inauguração coincidiu com o dia do Mico-Leão-Dourado, animal que está em risco de extinção e que é uma espécie endêmica do Rio de Janeiro. A região é a única do mundo onde o animal vive na natureza.
Locais considerados áreas frequentes de atropelamento de fauna foram mapeados, de acordo com as informações dos responsáveis pela reserva, como corredores preferenciais para a travessia de animais. E para que essa travessia se tornasse segura, uma estrutura inédita em rodovias federais no Brasil foi projetada.

A construção do viaduto teve início em 2018, com orçamento de R$ 9 milhões, e foi concluída pela concessionária que administra a rodovia, a Arteris Fluminense.
A expectativa é que os animais possam utilizar o viaduto de forma a proteger a biodiversidade da região. Sobre a estrutura foram plantadas árvores nativas da Mata Atlântica, que ainda devem levar alguns anos para crescer. Com as árvores já grandes, a travessia se tornará mais segura para os animais.
A estrutura verde proporcionará o encontro entre porções isoladas da Mata Atlântica. "A circulação, tanto dos micos quanto de seus predadores, vai permitir um equilíbrio biológico dentro da reserva e viabilizar a sobrevivência das espécies a longo prazo. 
É por isso que ele é tão importante e tão estratégico, não só por conta de atropelamentos, mas para superar uma barreira que o ser humano está construindo na paisagem biológica", explicou o secretário executivo da Associação Mico-Leão-Dourado, Luis Paulo Ferraz.
O viaduto vegetado liga a Reserva Biológica Poço das Antas à Área de Proteção Ambiental Rio São João/Mico-Leão-Dourado. A reserva é um dos principais habitats do animal. Os responsáveis pela obra acreditam que a presença do viaduto poderá aumentar as chances de reprodução do Mico-Leão-Dourado.
Um segundo viaduto está previsto no licenciamento ambiental da duplicação da rodovia, além de outras estruturas semelhantes, conforme divulgou a concessionária.
Informações RJ2, Jornal do Brasil com agência Sputnik Brasil.

Dizy Ayala


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