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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

80% dos antibióticos produzidos no mundo são utilizados em animais de fazenda

Foto: FAO / Hoang Dinh Nam

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em diversos países, 80% dos antibióticos produzidos no mundo são utilizados em animais de fazenda. E a maior parte é utilizada para estimular o crescimento em animais que não estão doentes.

Segundo a OMS, o uso excessivo e indevido de antibióticos em animais e seres humanos tem gerado problemas de imunidade a certos agentes infecciosos e a determinados tratamentos.

Alguns agentes que causam infecções graves em humanos já desenvolveram resistência à maioria dos remédios disponíveis e há poucas opções de alternativas em etapa de desenvolvimento para uso clínico.

“A falta de antibióticos eficazes é uma ameaça de segurança tão séria como um surto de uma doença súbita e mortal”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

E acrescenta: “Uma ação forte e sustentada em todos os setores é vital se quisermos reverter a maré da resistência antimicrobiana e manter o mundo seguro”.

O diretor do Departamento de Segurança Alimentar e Zoonoses da OMS, Kazuaki Miyagishima, enfatiza que estudos científicos demonstram que o uso excessivo de antibióticos em animais pode contribuir para o desenvolvimento de resistência a esses medicamentos.

A dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás.

China e Índia foram, segundo os autores do estudo publicado na revista Science, "claramente" os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados. Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos). Apesar de essa prática ser comumente utilizada em todas as fazendas de produção, no mundo todo, podendo gerar seus efeitos em qualquer país.

As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina.

Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resistência emergentes, ou seja, em que a resistência dos microrganismos a antibióticos está crescendo. Aí, o Brasil também aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste.

Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo).

"Na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), e ela pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento", explica Silvana Lima Gorniak, da USP.

"A terceira maneira é a mais polêmica, a mais discutida na ciência, que é a administração (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e o antimicrobiano é empregado com a finalidade de promover o crescimento. Não se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce".

Ao mesmo tempo, esta substância é colocada pela OMS no grupo mais crítico entre os antibióticos que precisam urgentemente de substitutos — já que são o último recurso para o tratamento de algumas doenças para as quais outros antibióticos não funcionam mais, são amplamente usados na medicina humana e já se mostraram altamente vulneráveis à resistência microbiana.
Fonte BBC

Nota do Blog Ação:
O uso de antibióticos força os animais tidos como de produção a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel. Ou seja, os adoecemos fisicamente e os expomos ao estresse contínuo devido à exploração para consumo e depois temos, como consequência, vetores de transmissão de doenças para humanos e menos chance de tratá-las por conta da resistência à antibióticos gerada pelo consumo desses animais.

Tão mais simples e seguro deixar os animais em paz, dando preferência a uma alimentação à base de plantas, e afastando o risco de doenças neles e em nós. Porém, basicamente, por ganância e gula se mantém um sistema de explorar vidas sencientes e achar que, de alguma forma, teremos controle sobre suas consequências para que o produto da morte seja “saudável” e fonte de “alimento”.


Dizy Ayala


Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e do Meio ambiente.
Comunicadora Formada em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos


Autora dos Livros:

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quarta-feira, 3 de junho de 2020

Galinhas de produção têm vírus 100 vezes pior que o coronavírus, alerta cientista norte-americano.



Cientista norte-americano alerta que ave criada para o abate e mais consumida na gastronomia brasileira poderá desencadear nova pandemia  

As galinhas criadas em grandes cativeiros para abate industrial são hospedeiras de um vírus 100 vezes pior do que o novo coronavírus, alerta o cientista norte-americano Michael Greger, em seu último livro “Como sobreviver a uma pandemia” (disponível no Kindle), informa à reportagem da Sptunik.

O pesquisador afirma que as autoridades sanitárias, em âmbito mundial, precisam adotar mecanismos preventivos, antes que o vírus provoque uma pandemia pior do que a que se iniciou em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China. 

DESAFIO GLOBAL

Em entrevista ao site Armenian Repórter, Greger destaca que as zoonoses transmitidas dos animais para os seres humanos representam a grande dor de cabeça para a humanidade em termos de vírus. 

O epidemiologista Michael Osterholm explica que o vírus H5N1, também conhecido como gripe das aves, assemelha-se ao mortífero vírus da gripe espanhola de 1918. Esse vírus também é originado de pássaros e pode provocar a repetição de uma pandemia global. 

 “Todos os frangos nascidos são uma nova incubadora para o vírus”, afirmou o epidemiologista ao Armenian Reporter, onde, recentemente, participou de um dos tópicos do curso Journalism in a pandemic: Covering COVID-19 now and in the future, da Universidade do Texas (EUA). 

A abordagem radical citada por Greger para eliminar o risco desta pandemia passa pela eliminação de todos os frangos do planeta. Seria um choque extremo na indústria alimentícia e no agronegócio. Por isso, ele acredita que a medida menos traumática e que poderia minorar os riscos seria abandonar a criação de galinhas em grandes granjas. 

A alternativa seria optar pela criação em granjas menores, com menos aves e adotando condições higiênicas mais adequadas. As condições atuais de criação industrial são inadequadas. 

“Ambientes com pouco fluxo de ar,  galpões em más condições, falta de higiene e o nível excessivo de amoníaco devido aos excrementos das aves, não é de admirar que as doenças floresçam”, alerta o especialista. 

Michael Greger lembra que a tuberculose e o sarampo são originários dos ovinos e caprinos. A varíola vem dos camelos, a lepra é originária dos búfalos de água, a tosse convulsa dos suínos, a febre tifóide dos frangos e o vírus da constipação comum dos bovinos e dos equídeos. 

“Essas zoonoses quase nunca chegam às pessoas diretamente, mas através da ponte de uma outra espécie”, lembrou Greger. Os vírus são transmitidos aos seres humanos através da carne de um animal infectado. A maioria desses vírus não representa perigo atualmente. No entanto, eles podem sofrer mutações, fortalecendo-se para enfraquecer o sistema imunológico humano, podendo provocar a morte. 

O novo coronavírus espalhou-se rapidamente pelo mundo em função da velocidade na circulação de pessoas pelo mundo, decorrência da globalização. Este episódio chamou a atenção para importância de monitorar a cadeia alimentar. 

“Veja como uma única refeição pode custar à humanidade trilhões de dólares e milhares de vidas”, destaca Greger, salientando que a humanidade precisa diminuir os riscos de surtos pandêmicos. 


Via PortalViu


Nota da redação do blog: Podemos fazer Uma Escolha pela Vida todos os dias com o que colocamos no prato. Temos inúmeras opções de uma alimentação saudável sem carne, de maneira que podemos preservar nossa saúde, o meio ambiente (sabe-se dos impactos ambientais que demandam da criação de animais para consumo) e vidas animais. Não há a menor necessidade de ceifar vidas para nossa alimentação, diante de nossa era tecnológica, que nos provê de tantas opções, inclusive de carnes à base de plantas. Evitando, assim, o surgimento de ainda mais epidemias, colocando em risco a segurança sanitária do planeta.

Lideranças mundiais já vem firmando acordos, como o chamado Pacto Verde, Green New Deal, para essa transição alimentar. 
É chegado o momento! Saiba mais 
http://acaopelosdireitosdosanimais.blogspot.com/2020/04/alianca-europeia-firma-pacto-verde-com.html

Dizy Ayala
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Surto de Coronavírus na China tem origem animal e está 'mutando e se espalhando' em outros países.


O coronavírus mortal  que surgiu na China está se adaptando e sofrendo mutações, alertaram autoridades chinesas nesta quarta-feira, 22/01/20, enquanto o número de casos confirmados continuava a crescer.

Quase 500 pessoas foram infectadas em todo o país, com o total de mortes aumentando para pelo menos 17, todas na província de Hubei, onde os primeiros casos foram registrados em dezembro.
O surto teve origem em Wuhan, capital da província de Hubei, e causa febre, tosse e dificuldades respiratórias. Segundo a Agência de Notícias Alemã, os coronavírus podem infectar animais e pessoas, causando doenças que variam do resfriado comum a doenças graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).
As autoridades de saúde confirmaram a transmissão de humano para humano, e os casos começaram a se espalhar para outras cidades chinesas e no exterior. O principal meio de transmissão é através das vias respiratórias e a mutação permite espalhar ainda mais a doença, disse Li Bin, vice-diretor da comissão nacional de saúde da China.

Os casos têm sido associados ao mercado público de frutos do mar em Wuhan. Ainda que alguns mamíferos aquáticos possam portar o coronavírus, como a baleia-beluga, também são comercializados no mercado outras classes de animais selvagens vivos, o que inclui galinhas, morcegos, coelhos e cobras — e são apontados como fontes mais prováveis.

Em Wuhan, que possui 11 milhões de habitantes, as autoridades locais estão pedindo às pessoas que evitem grandes reuniões sociais nos esforços para conter a disseminação e estão impedindo a importação de gado e animais selvagens para a cidade, disse Li.

Nota: Convém destacar que já houve episódios recentes da chamada gripe aviária e gripe suína  emergindo da China. Que a intensa atividade de exploração animal para uma grande demanda de carne no país mais populoso do mundo está a adoecer milhares de animais. Inclusive, foram reportados episódios de doenças respiratórias graves e fatais em porcos, chamados de deltacoronavírus suíno em 2012 e 2014, confira aqui https://news.osu.edu/new-pig-virus-found-to-be-a-potential-threat-to-humans/ , que geraram por parte das autoridades uma busca frenética por medidas para contenção das epidemias, que já na época representavam risco de contágio a humanos. A partir de então cientistas trabalharam na mutação genética desses animais para tentar evitar doenças. Conforme artigo https://www.stlucianewsonline.com/gene-edited-farm-animals-are-on-their-way/ Dentre as preocupações, além do maltrato animal, está o fato de que os produtos de animais modificados podem desencadear alergias ou que genes neles inseridos entrem no DNA humano. 

E, por fim, em 2019, foi reportada a morte de milhares de porcos por peste suína. Agora, a contaminação é atribuída a morcegos, que além de infectar porcos, também fazem parte do cardápio da China. Ou seja, além dos impactos ambientais da pecuária, como o aquecimento global e a poluição fortemente percebida nos países asiáticos, o sofrimento animal tem gerado doenças com novos e cada vez mais potentes vírus, inclusive nos humanos e, na tentativa de contê-los, com um verdadeiro coquetel de medicamentos, a resistência a antibióticos.  Prefira uma alimentação à base de plantas e tenha uma vida mais saudável, preservando o meio ambiente e vidas animais.

A doença despertou alarme em lugares como Taiwan, Hong Kong, Coréia do Sul, Tailândia e Filipinas, onde autoridades disseram que montariam zonas de quarentena ou examinariam passageiros da China em busca de sinais da doença.

A embaixada dos EUA na China emitiu um alerta de saúde instruindo os viajantes a Wuhan a evitar animais, mercados de animais, carne não cozida e contato com pessoas doentes.
mais
Em todos os países da Ásia e de lugares tão distantes quanto os EUA, foram adotadas medidas de triagem nos aeroportos para viajantes vindos da China, em um esforço para conter o surto. A Coréia do Norte também fechou suas fronteiras para todos os turistas estrangeiros, a maioria dos quais visita da China.
Medidas de saúde pública na China também foram implementadas, incluindo a triagem de passageiros em Wuhan, para evitar a repetição do surto de SARS, que se originou na China e se espalhou globalmente, matando quase 800 pessoas em 2002 e 2003.

Há uma grande preocupação em torno do Ano Novo chinês, no fim de janeiro, período em que centenas de milhões de pessoas viajam. Cingapura e Hong Kong tem escaneado passageiros que chegam de avião de Wuhan, medida que autoridades dos Estados Unidos passaram a adotar desde a última sexta-feira em três grandes aeroportos em San Francisco, Los Angeles e Nova York.

Os EUA, Coréia do Sul, Japão e Taiwan confirmaram um caso cada. Também, mais recentemente, a Rússia comunicou um caso.
"Os indivíduos devem procurar atendimento médico se desenvolverem sintomas respiratórios dentro de 14 dias após visita a Wuhan, na China", recomenda o Dr. Nick Phin, vice-diretor do Serviço Nacional de Infecção do Public Health England.
Uma reunião de emergência foi convocada pela Organização Mundial da Saúde hoje em Genebra para determinar se o surto de coronavírus constitui uma emergência de saúde global e intensificar os esforços para conter a infecção.

Fonte:
https://www.telegraph.co.uk/news/2020/01/22/coronavirus-outbreak-china-rises-440-cases-9-deaths/https://aawsat.com/english/home/article/2077051/mystery-illness-china-caused-coronavirushttps://www.nationalhogfarmer.com/animal-health/bats-attributed-new-coronavirus-killing-pigs-chinahttps://www.seudinheiro.com/2019/onu/fao-eleva-para-7054-milhoes-numero-de-animais-eliminados-por-peste-suina/





















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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Relatório da ONU alerta que 70% das doenças que infectam seres humanos derivam de alimentos de origem animal




Relatório da ONU alerta que 70% das doenças que infectam seres humanos derivam de alimentos de origem animal



Cerca de 70% das novas doenças que infectaram os seres humanos nas últimas décadas têm origem animal, afirma a agência alimentar das Nações Unidas, alertando que está se tornando mais comum que doenças mudem de espécies e se espalhem na população, em meio ao crescimento das cadeias de agricultura e de abastecimento alimentar.

A expansão contínua das terras agrícolas em áreas selvagens, juntamente com um ‘boom’ mundial da produção animal, significa que “o gado e os animais selvagens estão mais em contato uns com os outros, e nós mesmos estamos mais em contato com os animais do que nunca”, disse Ren Wang, diretor-geral assistente da área de agricultura e defesa do consumidor da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).



“Não podemos lidar com a saúde humana, a saúde animal e a saúde do ecossistema de forma isolada, temos de olhar para eles juntos, e abordar os condutores de surgimento de doenças, persistência e propagação, ao invés de simplesmente correr atrás das doenças depois que elas emergem”, acrescentou.

De acordo com o relatório ‘Pecuária Global: Mudando as Paisagens das Doenças’, é necessária uma nova abordagem – mais holística – para a gestão de ameaças de doenças.

O relatório busca entender como as mudanças na forma como os humanos criam e comercializam animais têm afetado o modo como as doenças surgem e se espalham.

A globalização e as mudanças climáticas estão redistribuindo patógenos, vetores e hospedeiros, e os riscos de pandemia para os seres humanos causada por patógenos de origem animal são uma grande preocupação. Ao mesmo tempo, os riscos de segurança alimentar e resistência aos antibióticos estão aumentando em todo o mundo, diz a agência da ONU.

fonte:
http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/12/cerca-de-70-de-novas-doencas-que-infectam-seres-humanos-tem-origem-animal-alerta-onu/#respond

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