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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Fazenda Futuro acelera produção de carne vegetal para suprir demanda nacional e também da Europa



Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro, revela que startup vai cruzar o Atlântico para suprir demanda do velho continente.

Matéria do Whow! por Raphael Coraccini

O projeto da Fazenda Futuro começou no final de 2016, depois de Marcos Leta e Alfredo Strechinsky venderem a Do Bem, marca de sucos, para a Ambev. “Começamos a olhar outros mercados e chegamos a um consenso sobre entrar em um em que a gente já tem experiência e capacidade para inovar, e modificar realmente esse mercado. Chegamos na maior categoria de alimentos do mundo, a de carnes, com a finalidade de reduzir impactos ambientais e o número de animais abatidos”, conta Marcos ao Whow!.

A empresa começou a operar, de fato, em maio de 2019, com sua carne vegetal pronta e também um plano estruturado para chegar às grandes contas. O diferencial dos empreendedores foi a entrada que tinham no setor de alimentos, depois de dez anos à frente da Do Bem.

Os dois primeiros clientes da foodtech foram no ramo de restaurantes. As redes Lanchonete da Cidade, em São Paulo, e TT Burger, no Rio de Janeiro, foram as primeiras a venderem o hambúrguer vegetal, em maio do ano passado. Em seguida, veio o varejo de alimentos com o GPA, dono do Pão de Açúcar.

Marcos destaca que a adesão de grandes redes têm a ver com o aumento, ainda gradual, da demanda, que sucede uma mudança de paradigmas em relação à alimentação no mundo, com substituição da proteína animal, seja a carne ou os derivados de leite e ovos.

“Na Fazenda Futuro, a gente fala que a nossa carne é para todo mundo, e, por isso, a gente imita textura e gosto da carne animal. Nosso público é a pessoa que come carne, mas quer reduzir, além dos veganos e vegetarianos, que pararam de comer carne não pelo sabor ou textura, mas porque não compactuavam com o sacrifício de animais”, destaca.

O desafio é se aproximar, cada vez mais, do sabor da carne animal para que a substituição seja natural. Segundo Marcos, a empresa nasceu pra concorrer com os frigoríficos. Ele avalia que por mais que os frigoríficos trabalhem para criar suas próprias linhas de carne vegetal, haverá uma barreira imposta pelo consumidor.

“O que está acontecendo no mundo é que todos os frigoríficos que tentaram entrar (no segmento de carne vegetal) não funcionaram porque o consumidor acaba vendo que é muito mais uma extensão de linha do que mudança de propósito, de tentativa de reduzir o consumo de carne animal”.

Para o empreendedor, o Brasil tem potencial para ser um player global na produção e venda de carne vegetal, aproveitando a entrada no mercado mundial da proteína animal brasileira. Ele avalia também que o desenvolvimento de tecnologias para transformar vegetais em alimentos semelhantes à carne tem potencial de melhorar a qualidade dos vegetais vendidos em sua forma natural.

A Fazenda Futuro está estendendo suas vendas para outros países pelo mundo. Na América Latina, Uruguai e Chile já começaram a receber os produtos da marca. O México também começará a comprar carne vegetal da startup brasileira.

Desde março, as vendas da empresa também começaram na Europa. A Holanda é o primeiro país do continente a comprar carne vegetal nacional. Marcos afirma que, apesar de a cultura europeia já ser mais familiarizada a novas ofertas de carne, o produto local ainda não é excelente a ponto de fechar a entrada para produtos externos. É onde a empresa espera avançar.

“O consumo da Holanda de carne vegetal é basicamente o consumo no Brasil inteiro, levando em conta as diferenças de tamanho de um país para outro”, afirma o executivo, citando estudo encomendado pela startup.


Polêmicas com o termo “carne”

A União Europeia levantou questões relacionadas à legalidade de empresas como a Fazenda Futuro usar o termo “carne” para definir produtos alimentares que não são oriundos do abate de animais. Para o fundador da Fazenda Futuro, são os consumidores que definem como o produto será chamado. “O que temos que evoluir é talvez mudar o significado do termo no dicionário”, sugere.

“As pessoas não vão deixar de usar o termo em uma hamburgueria só porque trata-se de um produto de origem vegetal. Acho isso uma involução em relação ao que a sociedade está querendo. Discutir isso só vai gerar mais curiosidade nos consumidores sobre a carne vegetal”. E, segundo o empreendedor, essa curiosidade já é presente e tem impulsionado os números.

Ele afirma que, em uma das maiores redes de varejo supermercadista do Brasil, 25% do marketshare de carnes é da Fazenda Futuro. Mas que o trabalho de convencimento sobre os benefícios e prazeres da carne vegetal ainda tem um caminho para ser percorrido. 

“O grande trabalho é basicamente ter um plano comercial bem montado e rápido para chegar em pontos de venda variados no Brasil e colocar essa carne do lado da carne animal porque acaba gerando mais experimentação e curiosidade”, conclui.

Além da carne tradicional, a carne vegetal tem outra concorrente no mercado: a carne cultivada, ou carne de laboratório, que tem sido desenvolvida com o clone de células animais, reproduzindo o sabor da carne animal sem precisar de abate nem da transfiguração de vegetais em carne. A batalha da carne do futuro está lançada.


Dizy Ayala

Redatora, Blogueira, Revisora, Escritora, Vegana.
Defensora dos Animais e do Meio ambiente.
Comunicadora Formada em Publicidade e Propaganda -  
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos

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segunda-feira, 9 de março de 2020

Carne vegetal: 57% dos brasileiros estão dispostos a consumir, conforme Google.



Busca por 'carne vegetal' no Google aumentou 150% em cinco anos, no Brasil. Foto: Divulgação/Fazenda Futuro

As buscas pelo termo ‘carne vegetal’ aumentaram 150% entre os brasileiros de 2015 a 2019. As informações foram divulgadas pelo Google no final de fevereiro.

A plataforma ressalta que a expressão é nove vezes mais buscada no Brasil do que as do ‘plant based’, termo usado para diferenciais produtos de origem não-animal em países onde esse mercado já está bem desenvolvido, como os Estados Unidos. 

O Google realizou uma pesquisa com 4.335 internautas de todo o País em novembro de 2019 por meio da ferramenta Google Survey. A pesquisa mostra que 16% dos brasileiros já se declaram vegetariano ou vegano

Saiba mais sobre Alimentação Saudável sem carne animal, com opções veganas, no link: 

A pesquisa revela também que 57% dos brasileiros entrevistados afirmam estar dispostos a reduzir o consumo de carne pelo menos uma vez por semana.

Entre o público que se mostra favorável a experimentar ao menos um dia da semana sem carne, 39% fazem parte dos chamados ‘millennials’, que nasceram entre 1981 e 1996. 

Bacon vegetal: empresa promete colocar alimento no mercado em breve.

 “A oportunidade é gigante e a indústria de alimentos deve acompanhar essa tendência com inovações igualmente grandes para conseguir endereçá-la”, explica Marco Bebiano, diretor de negócios para Bens de Consumo, Tecnologia e Governo do Google Brasil.

Após onda do hambúrguer vegetal, startup lança camarão com origem em plantas.

Atualmente, as buscas sobre ‘carne vegetal’ no Google se dividem em questões ligadas à conhecimento (37%), como terminologias e conceitos, produtos segmentados (36%) para a substituição direta da proteína animal, receitas (23%) adaptadas ao universo sem carne e lugares especializados (4%), como restaurantes, padarias, açougue e mercados. 

No campo do conhecimento, entre as dúvidas mais buscadas no Google pelos brasileiros estão: “O que é carne vegetal?”, “Como fazer receita prática vegana?”, “O que é plant based?”, “O que eu como em um dia vegano?” e “O que é flexitarianismo?”.

Com a chegada de novos produtos feitos de carne vegetal no mercado brasileiro, espera-se um crescimento ainda maior. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a categoria está melhor estabelecida e apresenta diversidade de produtos oferecidos, as buscas por ‘plant based’ já são oito vezes maiores do que no Brasil. 

Fonte: CAMILA TUCHLINSKI - O ESTADO DE S.PAULO


Dizy Ayala
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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Destaque para anúncios nos jornais de maior circulação do país: O Globo, Valor e Folha de S. Paulo. O futuro já chegou!



Duas páginas, duas propagandas. De um lado, o anúncio da Marfrig, empresa brasileira que está entre as maiores do mundo em abates de animais e em produção de carne, mas com um objetivo: lançar ainda em 2019 a sua versão de hambúrguer 100% vegetal. Para tal, afirma que: “Só a maior produtora de hambúrguer do mundo, que atende os clientes mais exigentes, pode produzir em escala hambúrguer vegetal com sabor animal”.

Do outro, a também brasileira Fazenda Futuro, empresa vegana que já lançou os seus burgueres vegetais, idênticos aos de origem animal, que são vendidos nos principais supermercados do país. A Futuro utilizou os mesmos jornais, mais precisamente a folha ao lado do anúncio da Marfrig, para dizer o seguinte:

"MAIOR PRODUTORA DE HAMBÚRGUER ANIMAL DO MUNDO, BEM-VINDA.
Essa é uma mensagem do futuro. E viemos contar como está tudo por aqui. Aqui no futuro, você não precisa ser o maior produtor de hambúrguer animal para lançar um hambúrguer vegetal. Aqui, o mundo não pertence só aos gigantes, mas aos transformadores. Aqui no futuro, não é sobre "diversificar os negócios". É sobre preservar a diversidade do planeta. Aqui no futuro, não adianta falar em desenvolvimento sustentável, matando boi e usando mais recursos naturais. Porque se você é parte do problema, você não pode ser a única solução. Aqui no futuro, não importam suas ações da bolsa de valores, mas suas ações e valores. Venha de coração aberto. O futuro é mágico e exigente. Com carinho, Fazenda Futuro".

Verdade seja dita, o futuro já chegou! Estamos vivendo um momento único e transformador de transição. As motivações são diversas, assim como os públicos. O que importa é que o mercado de carnes vegetais idênticas às animais está se multiplicando, nos casos descritos acima, da Futuro Burger e Mafrig, como nas versões das também brasileiras Superbom e JBS – através da marca Seara – Behind The Foods e da norte-americana Beyond Meat que está chegando ao Brasil. E assim, vidas animais são poupadas e também o meio ambiente.

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Crescimento do veganismo expande mercado de produtos lácteos a base de vegetais no Brasil, seguindo tendência mundial.


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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Nos próximos 20 anos, 60% da carne consumida no mundo não será mais de origem animal.



É o que sugere um novo estudo. Só em 2018, quase US$ 1 bilhão foi investido em carnes à base de plantas.

Exemplo disso é o Impossible Burger, produzido pela Impossible Foods, um burger de origem vegetal que imita o sabor e a aparência da carne bovina, lançado em 2018, resultado de nove anos de pesquisa e US$ 250 milhões de investimento.

Em um ano, o Impossible Burger, que primeiramente era distribuído apenas em pequenas lanchonetes, passou a fazer parte  do cardápio de algumas filiais americanas do Burger King, uma das maiores redes de fast food do mundo, compondo o chamado “Impossible Whopper”, que está à venda em quatro cidades dos Estados Unidos.

Com base no rápido crescimento do mercado de carnes de origem vegetal ou produzidas em laboratório, foi divulgado um novo relatório sobre o assunto, agora em junho, elaborado pela consultoria ATKearney.

O estudo aponta para a forte tendência da mudança de comportamento das pessoas quanto à alimentação, com um aumento progressivo no número de veganos e vegetarianos, incluindo o grande público, cada vez mais atentos aos impactos ambientais da agropecuária e à crueldade sofrida pelos animais tidos como de produção.

O relatório sugere que dos 60% da carne alternativa, parte será cultiva em laboratório, a partir de células tronco de um animal adulto (porco, vaca, frango), cultivadas em um reator biológico para se multiplicaram, de modo que uma parte vira gordura e outra músculo. Ou seja, ainda que sejam reduzidos os rebanhos de animais, a exploração continua para as matrizes de células tronco. Mais uma vez, animais são explorados, a exemplo daqueles que são usados em laboratórios científicos, tendo suas vidas privadas do direito à liberdade e seus corpos objetificados para um capricho do paladar.

Porém, outra parte, bem mais promissora, que atende ao cuidado com as questões ambientais, da saúde humana e preservação de vidas animais, são as opções veganas, como a do Impossible Burger, que valendo-se da tecnologia, na engenharia de alimentos, combina proteínas de origem vegetal, com temperos, cores e sabores, que lhe conferem o gosto característico do convencional.

O estudo listou 27 empresas que já trabalham em projetos nesse segmento, que recebeu, ao todo, US$ 950 milhões em investimentos em 2018, inclusive de grandes produtoras de carne animal.

A tendência já chegou ao Brasil com o Futuro Burger, feito com proteínas de soja, ervilha e grão de bico, que já pode ser comprado em algumas redes de supermercados, como o grupo Pão de Açúcar e em alguns empórios e lanchonetes.

Alimentos de origem animal, além de serem responsáveis por 70% das doenças modernas, como câncer, diabetes e cardiovasculares, tem um enorme impacto ambiental. Segundo a FAO, divisão da ONU para alimentação e agricultura, mais de 70% da soja produzida no mundo serve para alimentação de animais de fazenda. Dos quais, 20 bilhões são aves, 1,4 bilhão são bovinos, 1 bilhão de porcos e 1,9 bilhão de ovinos e caprinos, produzidos no planeta. Bilhões de vidas produzidas, constantemente, por inseminação artificial, exploradas e sacrificadas para obtenção de proteína, facilmente obtida a partir de grãos e hortaliças.

Vastas áreas são degradadas pelos dejetos desses animais, poluindo solos e rios, também o ar, por conta dos gases do efeito estufa emitidos, como o dióxido de carbono, responsável pelas mudanças climáticas e o desmatamento. Por conta disso, o relatório apoia a ideia de que o consumo de carne vai se tornar mais consciente.

Ainda, de acordo com o estudo, a mudança tende a ser gradual, em um setor que movimenta US$ 1 trilhão por ano. Portanto, agir com consciência, na produção e consumo de alimentos, é fundamental para diminuir os impactos e garantir a proteção dos recursos naturais, de vidas animais e da saúde das pessoas.

Infos reportagem Superinteressante.

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